16 de dez de 2010

A Revolução dos Coraças (parte IV)

Parte I - - - Parte II - - - Parte II


- Majestade, está aí o mensageiro da corte.

- O que querem?

- Vou mandá-lo entrar.

O mensageiro entra e, após reverenciar ao seu rei, passa, sem mais cerimônias[1], a revelar o conteúdo da mensagem.

- Majestade, todos concordam em unanimidade que o rei já ficou muito tempo fora da corte. E, ainda muito mais do que devia neste vilarejo insignificante.

Ludovico deu um fortíssimo tabefe na mesa.

- Quem? Quem? Quem é que está dizendo isso? Quem pensam que são? Eu sou o rei! EU SOU REI!!!

Notícias não muito confiáveis vindas de não muito confiáveis informantes que ouviram de não muito confiáveis circunstantes dão conta de certa quantidade de espuma na boca de sua majestade.[2]

- Majestade. Todo o corpo de conselheiros, os deputados aliados, os senadores. Vossa mãe! Todos apelam que vossa majestade volte imediatamente ao reino.

- Diga à mamãe que entenda. Estou num desafio muito importante nesta terra e que não posso abandonar. Diga isto à minha mãe. Os outros não me importam.

O único conselheiro que o acompanhava resolveu intervir.

- Majestade, com todo respeito, vossa mãe é a única que não poderia ifluenciar politicamente no Partido Conservador.

- Pois é isto. Os senadores e deputados, majestade. Eles proferem ameaças constantes – disse o mensageiro.
- Que se dane o Partido Conservador!

- Mensageiro – disse o conselheiro. A cordialidade usual, conhecido por respeitar as menores classes. – Dê-nos licença um minuto.

E enfiaram-se o rei, o marquês e o conselheiro, no gabinete fechado da casa. Meia hora depois voltavam. O rei já tinha uma mensagem para mandar de volta à mãe e aos aliados políticos.

- Diga a todos que volto em três dias.

**************

- Temos que fugir!

- O que? O que você está dizendo, meu amor?

- Temos que sair de Nandinávia imediatamente! Eu não quero te perder!

- Fica calma...

- Ele apareceu lá em casa ontem. Minha mãe contou. Ofereceu dinheiro pra ela facilitar as coisas. E tentou convencê-la de que ser concubina era o contrário de desonra.

- Maldito! Maldito! Vou ter que tirar satisfações com este cafre!

- Não! É perigoso!

- Pior perigo é te perder para aquele pulha!

- Amor, se te virem falando assim terão motivos pra te prender! Vamos fugir de Nandinávia enquanto é tempo!

- Eu não vou fugir de um rei covarde!

Batidas desesperadas na porta. O poeta toma a sua espada[3] e, com cuidado, vai verificar quem é, mas acalma-se ao ver que era Pedro, um amigo da Gazeta. Abre a porta e o jovem entra eufórico.

- Boas notícias, companheiros apaixonados! O rei se vai amanhã bem cedo!

Abraços e sorrisos gratuitos na pequena casa de Emanuel Rodrigues, o Poeta da Vila.

**************


[1] A cerimônia nesta hora era justamente não ter cerimônias.
[2] Dá pra confiar em mais ninguém hoje em dia
[3] Olha o que estava faltando pra deixar a história emocionante!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?