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24 de set. de 2016

A menina que amei

Imagem: http://kacka-kopecka.blog.cz

Minha mãos já perceberam
Que você não é mais menina
Passeando, seu corpo estremecido
As mãos vibram na sismografia de Richter

Meus ouvidos, olhos, orelhas
Boca e pernas e dentes
Todo o meu corpo, enfim
Percebe que não, você
Não é mais a menina que amei

Confesso, senti uma saudade
Te imaginando menina
Te imaginando inocente
Confesso, sorri de encanto
Do encanto que me fazia
O riso em cova que havia
A sua doçura pueril
Dos seus cabelos em cachos
Confesso, senti essas faltas

Minhas mãos, meus olhos, meu corpo 
Já sentem, você  
Não é mais a menina que eu amei 

Que grande habilidade transformista 
Que mantém a pura essência 
O meu coração é quem sabe 
O tempo passou, passou 
E você não é mais a menina que amei 
Mas é a mulher que eu amo 

(Fernando Lago - 2015) 

8 de dez. de 2012

Big Bang

Imagem: internet


Ela tinha um mundo só dela
E eu tinha um mundo só meu
Como duas galáxias no infinito
Que por um movimento rotineiro
(desses que acontecem sempre a cada milhão de anos)
Nossos mundos se chocaram
E explodiram
E desintegraram-se
Todas as distâncias de nós
E agora
As galáxias tornaram-se
um sistema de um planeta só
eu
girando em torno de ti
a minha estrela maior. 

Fernando Lago – Dezembro de 2012

7 de jul. de 2012

Ave!



Para Arianne Carla Barromeu

Como uma ave, seu olhar passeia
Perdido na estrada do infinito
Quando se encontra com outro olhar que o rodeia
Passa a enxergar-se em um mundo mais bonito

Doce sorrir que te acompanha aonde vais
Sem perguntar qual itinerário que o espera
Sem perceber que o tempo desacelera
Quando a candura do seu rosto se refaz

Como é divina a expressão do seu sorriso
Como é gracioso o seu jeito de menina
E a imagem que refletes, que voraz!

Contemplar-te, assim tão linda, traz uma paz
Que acalma e desconforta o juízo
Equilibra e ao mesmo tempo desatina

Pois tão doce criatura traz em si
Um pedaço de um mundo que é fantástico
Que nos tira do real, do rotineiro
E faz sonhar com tudo embelezado

Mas ao voltar os olhos para o mundo
O real é ao sujeito revelado
E ele perde o seu sonho como plástico
Que se estoura num momento sorrateiro

Mas há um jeito lindo de manter
O sonho vivo em mente, e com esperança
É só guardar a imagem do sorriso
Da moça sempre dentro da lembrança. 

Fernando Lago – 07 de Julho de 2012

28 de jan. de 2012

Mente despretensiosa



Despretensiosamente... Como quem anda numa rua vasta sem saber aonde vai. Quebra umas esquinas, adentra alguns becos, mas continua andando. O pior é não saber onde se vai chegar... Minto. O pior é não saber se saberá voltar... Mas voltar pra quê?

Segue a rua, segue os passos, o vento segue... Cegue...

Isto não é uma poesia, meu senhor. Isto não é uma poesia! Isto não é nada... Despretensiosamente, sem desejos e anseios, sem amores ou dores...

Afinal de contas, que é que é isso mesmo, senão uma autometáfora quase que absolutamente metonímica? Metonímica, metalinguística, metafórica, talvez um pouco hiperbólica, mas que importa? Importa que já não é absoluta... Absurda!

Despretensiosamente é que escrevo. E suponho que é assim que o leiam os poucos que aqui vieram perder seu tempo... A estrada é longa e íngreme. Tomem seus acentos...

Janeiro de 2012

18 de jan. de 2012

Mais um ano



Publicado no Jornal Independente


Acordou meio desorientado, tonto, cabeça doendo, ressaca braba... Mais um ano. Levantou-se, dirigiu-se ao banheiro do quarto e contemplou o conhecido rosto que aturava havia décadas. Mais um ano.

“O que você mudaria em si mesmo?”

Pergunta idiota de um quiz idiota que umas meninas idiotas inventaram de fazer na festa idiota da noite anterior, só pra passar o tempo, enquanto esperavam a meia noite. Mais da metade da turma já estava da bêbada, incluindo ele. Era isso que fazia todo fim de ano. Embebedava-se. Havia tempos não tinha ânimo para ver o ano passar. “Os anos é que me veem passando” troçava com os amigos.

Aceitava convite para qualquer festa. Dessa vez foi uma das sobrinhas da dona Chiquita, vizinha de reputação duvidosa, que lhe convidou. Festa da alta, muitas meninas bonitas e bebida liberada. Todas as ferramentas que ele precisava para virar o ano, fenômeno raro que se repetia a cada trezentos e sessenta e cinco dias.

“E você, gatão! O que mudaria em si mesmo? Todo mundo respondeu, só falta você.”

O que mudaria em si mesmo? Tudo, talvez. Mas advertiram que “tudo” não valia. Tinha que ser uma coisa só, específica. Talvez o nariz torto... Não, gostava do nariz torto, ninguém tinha um nariz daquele jeito e ele se sentia especial por isso. Os pés... Os olhos... Sim, gostava de olhos verdes e os deles eram pretos, mas não era motivo pra querer muda-los...

“Não dá, minhas lindas. Em mim ou é tudo ou nada.”

“Então defina tudo.”

E teve que dizer um “sei lá”... Sentiu-se humilhado. Não pelas meninas, nem pelos caras que assistiam quase rindo, mas por si mesmo. Percebeu que sabia muito pouco de si e que sequer se conhecia o bastante para querer mudar ou manter alguma coisa.

“Vamos para a próxima pergunta?”

Impacientou-se, pegou uma garrafa de vodka e foi sentar-se a um canto sozinho. Faltava pouco para meia-noite. Mal sentou ouviu os estouros dos fogos lá fora, os gritos cá dentro e sentiu os longos goles da bebida descendo... Mas a pergunta, o diabo da pergunta é que não descia... O que mudaria? Aliás, o que mudaria agora com a mudança de ano? Talvez nada, além dos calendários da parede...

Janeiro de 2012

5 de jan. de 2012

No Balanço desse Mar...





Sincero
O meu coração versa
A nossa primeira conversa.

I
Não sei o que havia 
Quando a via, 
Além da via.

II
Tua voz
- Esse concerto -
Me deixou em 
Desconserto.

III
Minha vida 
Amor, é nada 
Sem tua pele 
Amorenada...

IV
E riste, com quatro olhos
Os teus
E os meus
Nos teus

V
E calaram-se os motores 
Das pessoas 
E as vozes 
Dos carros

VI
Riste
O dedo em riste
Apontando minhas tolices

VII
No balanço desse mar
Conjugarei
O verbo amar

VIII
Deposto, 
És posto exposto
Ao posto.

IX
Em vão 
Busquei no vão 
O cheiro do seu perfume

X
Homessa! A promessa 
Que fizeste antes da partida 
Será um dia cumprida?


05 de Janeiro de 2011 (no Facebook)

30 de ago. de 2011

Declaração

Cena do filme Luzes da Cidade (City Lights), de 1931. Chaplin. Gênio.


Olha, menina,
Você é mais linda do que todas aquelas
Que não te superam em beleza física!
Muito mais inteligente do que todas as outras
Que possuem uma menor bagagem cultural.
Seu temperamento é tão dócil
Que você consegue ser mais calma do que todas
As que têm menor auto-controle que você.
E sempre está disposta a fazer o que é preciso,
Exceto quando se indispõe.
Você, meu bem,
É uma menina que sempre está alegre,
Exceto quando a tristeza te domina.

Enfim, posso dizer, sem medo,
Que salvo todas as imperfeições,
Você é uma mulher perfeita.

Agosto de 2011

30 de jun. de 2011

Way

Imagem: Blog "Ninguém Ficou Sabendo" (via google images)


Me perdi nas tuas curvas
Teu beijo de uva
Vinho
Venho sambando na rua
Entrando na sua
Dançando na chuva

Me perdi na sua boca
Por coisa pouca
Linho
Alinho minha roupa listrada
E subo a escada
Numa marcha louca

Foi na rua principal que tu sorriu pra mim
E todo mundo me olhou com inveja
E seu olhar
E seu sorrir
Me transportaram enfim
Ao mar onde o meu rio despeja

Junho de 2011

1 de abr. de 2011

Entrevista com minha vida

Imagem: http://twixar.com/CsB80k1 (Blog Obsolescências)


A vida encontrou-se comigo no fundo de seus olhos
Ficamos lá
Papeando
Contando mentiras e inventando verdades recém desapocrifadas


E você
Como quase sempre, calada
Ouvindo os absurdos que dizíamos de mim
Paciência de Jó!
Sem querer mentir as desmentiras que falávamos
Mas sem revelar toda a verdade que maltrataria
Esse meu ego imundo


Não sei se disfarçava
Não senti nenhuma inundação no canto dos seus olhos
Em que eu e minha vida estávamos sentados
Não senti
Talvez a vida tenha sentido alguma coisa
Mas não me quis dizer
Hoje, quem vai saber?


Importa que a injustiça está desfeita
Percebemos que seus olhos não é sala de reuniões
Nem mesa de bar
Nem qualquer tribunal de mesquinharias para discutirmos sobre mim
Soubemos isso, ao sair dos seus olhos
E olhá-los com verdadeira atenção
Soubemos toda a verdade
E despedimo-nos, contritos
A vida e eu
Num conflito entre nós


Rompi a amizade com minha vida
Há dias que não nos falamos
Mandou-me uma carta desaforada, dizendo que seus olhos era o lugar certo para ela
Egoísta!


Mas sigo a vida, sem a vida
Com você ao meu lado
Vendo os seus olhos de fora
Da maneira que posso vê-los
E te pedindo desculpas
Por não tratá-los devidamente
Como templo de contemplação
Das verdades da Alma


Fernando Lago – Abril de 2011

26 de mar. de 2011

e-book: A Revolução dos Coraças

Myebook - A Revolução dos Coraças - click here to open my ebook

Há alguns meses postei aqui, neste humilde espaço blogolístico, uma série de textos que, interligados entre si, formam o conto (ou novela, ou fábula, ou seja lá o que for) intitulado "A Revolução dos Coraças".

Trata-se de uma espécie de metáfora política, ao mesmo tempo romântica e principalmente satírica (pelo menos foi essa a palavra que usaram), que conta a história de um homem que, pra resgatar a sua amada das mãos de um rei tirano e tarado (busquei outra palavra mais adequada que essa; achei, mas preferi a inadequação mesmo) acaba causando uma grande reviravolta nas relações de poder do reino de Lagolândia. Nome, aliás, que eu particulamente acho adequadíssimo à estória.

Sem mais delongas além das já delongadas, digo-lhes que reuni todas aquelas passagens num só documento e resolvi (epifania!) publicá-las em e-book. Advertindo-se, porém, que o dramalhão não é lá grande coisa, visto que saiu da cabeça deste jovem "meio autista" (à maneira de nossa ministra da Cultura). Caso vocês queiram, ainda assim, verificar com seus próprios olhos, a imagem acima é o caminho que os levará ao reino de Lagolândia e à Vila de Nandinávia. Aconselho levar agasalho e barras de cereais. 

Comentários críticos e críticas comentadas serão bem vindos. Ameaças e xingamentos, procurem o SAC da Fernando Lago Corporation.

Abraços
Boa leitura.

Fernando Lago

16 de mar. de 2011

Reticências



Ante o cruzeiro do sul
O homem parou e disse
Que bons seriam nossos dias
Se fossem deveras nossos!
E assentiram, com as cabeças, todas as estrelas moças.

Fernando Lago - Março de 2011

23 de dez. de 2010

Abre Parêntesis*




23 de Outubro de 2008

12 de Maio de 2009

13 de Dezembro de 2010

__ de ________ de 2011


Ciclo.
Inquebrável?



* Golpe de Estado dos Fantasmas do Lago.

7 de jul. de 2010

Breves Palavras (V)

















Um dia,
Diante de tantos dias
É apenas um.
E eu,
Diante de tantos outros
Sou apenas um.
E fraco.
Mas ainda sigo
Nesta ideia de jerico

(Teixeira de Freitas, Primeiro de Julho de Dois Mil e Dez)

Crédito da imagem: http://shabestan.blogs.sapo.pt/4135.html#comentarios

7 de jun. de 2010

Outras Breves Palavras

Achei que mantinha o diálogo...

Não posso dizer que já disse tudo
Ainda creio que não disse nada...
As palavras, quando não acompanhadas de um olhar
Tem pouco ou nenhum valor...
É o que minhas experiências me repetem
Com irritante insistência
E insistente contundência...

Pedem-me que me aposente...
Que deixe de construir castelos.
Já prometi que sigo este conselho
Mas costumo mentir...

(Junho de 2010)

19 de mai. de 2010

Breves Palavras (Terceiras)

A cada passo de glória que damos no caminhar da vida,
lembramos daquela que nos ensinou a dar os primeiros passos
Em cada discurso sublime que proferimos nas mais altas tribunas,
lembramos daquela que ajudou-nos a falar as primeiras palavras...


Te amamos, mainha!

Texto que escrevi no cartão que entregamos junto ao simplório, presente do dia das mães.

Maio de 2010

16 de mai. de 2010

Breves (outras) Palavras

Sou um motorista com um carro instável, motor levemente avariado, se é que exista algo levemente avariado quando se fala em motores de carro - estacionado, pensando em que decisão tomar...

Posso chamar o mecânico da esquina. É perto, mas o mecânico da esquina eu não conheço e não me sinto seguro com o serviço dele... Posso entregar-lhe meu carro e este voltar pior.

Posso entregar meu possante a outros mecânicos de outras esquinas próximas, correndo o mesmo risco, mas, enfim, meu carro vai voltar a funcionar e ele me atenderá ali mesmo, sem precisar eu forçar o motor para ir a outras oficinas mais longínquas.

No entanto, mecânico mais confiável, pelo menos pela propaganda que se faz, está do outro lado da cidade, atravessando a ponte, cruzando ruas esburacadas, passando pelo morro, logo à beira da Rodovia Federal. É bom, dizem. E parece mesmo ser bom. No entanto, quanto irei gastar? E o meu carrinho vai poder fazer toda essa viagem no estado em que se encontra? Será que seu pobre motor, já tão escafubelado, vai agüentar mais um percurso destes? Sei não... Difícil decisão...

Assim vou ficando, cada vez mais tempo estacionado... pensando no que fazer de melhor pro meu carrinho e, conseguintemente, pra mim... Dizem que, volta e meia, por aqui, passam mecânicos indo e vindo daqui e dali... Não sei... Confiar no acaso?

Indecisão... sigo estacionado... Sem movimentos...

Fernando Lago Santos – Maio de 2010

Não tentem entender o que eu quis dizer com isso, pois nada quis dizer. Segundo meu professor de Artes, a Arte não tem pensa. Será mesmo? Critérios vossos...

30 de abr. de 2010

Um Momento de Silêncio

Por toda a grosseria que não falei
Por toda a raiva que escondi
Por toda lágrima que não mostrei
Por toda a revolta que omiti
Por toda a palavra que guardei
De todo amor que não vivi


Abril de 2010

26 de abr. de 2010

Breves Palavras...

  • Nem tudo que é novo é revolucionário
  • Nem tudo que ataca é violento
  • Nem tudo que ajuda é bondade
  • Nem tudo que brilha é ouro
  • Nem tudo que rima é poesia
  • Nem tudo o que é belo é filosofia
Talvez um dia possamos, todos nós, diferenciar estas coisas de outras coisas. Eu, principalmente, que sou o que mais preciso...