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24 de jul. de 2013

Sinfônica


De repente começa a tocar uma música que me toca. Conheço as notas, sei o motivo de cada posição na partitura e cada tilintar de instrumento: o menor detalhe que seja, me faz pensar em algo que ainda não sei exatamente definir. Como assim? E essa pergunta sou eu mesmo que me faço a mim. Sei que aquela canção significa alguma coisa, sei que alguma coisa no meu passado teve aquele conjunto de notas organizadas na ordem definida por um compositor e executada por vários músicos como trilha sonora de alguma ocasião da minha vida. Puxo pela memória. Não, não foi nenhuma namorada, porque as tive poucas e nenhuma delas esteve direta ou indiretamente ligada a essa peça musical. E nem poderia, porque a tal peça é um instrumental, contemporâneo, mistura Beethoven e Mozart com batidas de eletrônico. Aliás não tão contemporâneo assim, porque o eletrônico não é o mesmo eletrônico de agora, mas o de uma ou duas décadas atrás, que não tinha tanta tecnologia computadórica e ilumativa como as de hoje. Mas não, não era nenhuma namorada porque nenhuma das poucas que tive curtiria uma canção com este modelo. Não, nenhuma delas, nem meu pai, meu saudoso pai que ainda vive e só é saudoso no sentido de que há tempos não me vê e vive dizendo que tem saudade de mim, no mais, vende saúde, mas só vende no sentido de que ele é farmacêutico, mas anda adoentadinho, o coitado. Não, meu pai, farmacêutico, não apreciaria essa canção, já que prefere um bom sertanejo, mas daqueles sertanejos caipiras, de verdade, não esses sertanejos urbanos de hoje em dia. Não, nem meu pai, nem minha mãe. Porque minha mãe não entendia nada de música e me repreendia se eu ouvia música sem letra, porque para ela uma música só com instrumentos era uma música aleijada. Nem minha mãe, nem meus irmãos, porque eu era filho único.
Mas que raio de música é essa que toca, que me faz refletir coisas fora do comum e de um jeito fora do comum com comparações toscas e explicações demasiadamente prolixas? Sabemos por que estamos falando dela. Ela me lembra de algo. Se eu conheço a música, é claro que conheço. Conheço-a muito bem. Mas não é o fato de conhecê-la. É o que ela traz em suas notas e acordes. E a investigação que se me dá é justamente de buscar o porquê de eu estar com o ouvido colado nessa canção, tentando reviver algo que ela me traz sem eu sequer saber o que seja.
Vejamos, conhecemos a música, vamos escutá-la com calma. Sim, é ela mesmo, lembro-me dela porque tocava na casa do vizinho que era metido a intelectual, embora não entendesse nada de música falava da perfeição que era aquele conjunto contemporâneo e não estava errado em nada, mas isso eu só descobri depois que aprendi música... espera. Então é isso, nessa época eu era criança e não sabia nada de música... sim, a canção do vizinho de outrora é a do vizinho de agora – sim, é um vizinho, jovem, que a ouve neste momento.
É isso o que essa canção traz. Não é uma lembrança, não é a vontade de ver uma pessoa. O sentimento que traz é todo o contexto da época em que a ouvia com frequência, todas as lembranças, todas as pessoas, todas as brincadeiras e o programa de TV que passava na época e a hora de ir pra missa e o galo cantando fora de hora e o cachorro que mijou na porta da rua e o arroz que estava caro e o cheiro de café à tarde e o meu pai que estava cansado e pedia para o vizinho abaixar o volume...

Uma canção pode guardar tanta coisa junta... É o melhor baú que se pode ter.  

Fernando Lago - Julho de 2013

14 de nov. de 2012

Conselho

Imagem: Internet 


Parei pra refletir sem ter espelho
Ouvir de mim o meu próprio conselho
Agora vou buscar me redimir
Dos erros que eu nunca cometi

Fui tonto, tanto tempo
Inconsciente
Buscando uma paixão indiferente
Preciso de um gole de aguardente
Pra acordar do sonho de ser eu

É tanta ilusão, tanta cilada
É tanto tudo tão cheio de nada
É tanta vida morta, meu senhor
Coloca mais uma dose, por favor

Eu vou embora para a capital
Eu vou sair do sul, porque tô mal
Acho que, se pensar, aqui já deu
Ou é essa cidade ou sou eu

Domingo próximo ela vai casar
Ouvi dizer que o noivo é de BH
Fiz um negócio mal em Mucuri
Traz a garrafa toda, bota aqui

Não sei a quantas anda meu processo
Não sei qual a estrada pro sucesso
Teixeira tá bonita, tem progresso
Mas tá faltando eu me encaixar

Amigo, traz a conta, já tá tarde
Eu já embebedei só de saudade
Acho que vou pagar só a metade
Pendura o resto em nome da amizade
Depois eu passo aqui pra ver Tereza
Dizem que ela gosta de surpresa
Quem sabe eu me ajeito e me aquieto
E limpa esse balcão, tem muito inseto

Fernando Lago – Novembro de 2012 

22 de fev. de 2012

Ser um...




Na estrada da morte
Que a tua sorte me guia
Afia tua faca na minha mão


Tua imagem seduz
Com essa luz que alumia
Me leva pra longe
Da solidão

Cabelo reflete
O clarão que me ilumina
Menina eu quero o teu querer

Não sei se já sabe que eu não sei se já sabe
Acabe com isso e vamos ser

Um...

Preciso saber
Se é sério (esse) nosso caso
Acaso só eu que te quero bem?

Do bem que te quero há um só bem que me queres?
Preferes silêncio e eu também

Geleiras polares que o calor não derrete
Repete a história que se passou
Sabemos e cremos que o que cremos sabemos
Morremos da morte
Que nos tornou

Um...

Fernando Lago - 1 de Novembro de 2011


31 de jul. de 2010

Há uma lua



Advertência


Sou um inventador de modas. Modas que não viram tendência e que ninguém segue, além de mim, mas modas. Minhas. Esta é mais uma. Ficar gravando músicas diletantemente. Como não bastasse a diletância de versificar, passo a melodiá-las e a captá-las. Isto tudo é apenas pra dizer que o conteúdo do áudio aqui posto é de minha total irresponsabilidade. Tenho dito.


 Há uma lua by nandescritor



Há uma lua

Há uma lua que só se vê
Do fim da rua
Ao anoitecer
Se eu fosse o dono, eu te daria
Seria pouco, nada tenho a oferecer

Se tu quiseres, eu vou pedí-la
Diz-me se queres
Adquiri-la
Eu subo ao dono e a imploro
E não demoro se conseguir possuí-la

Se me olhar já
Valeu a pena
Musa pequena
Te agraciar
Se me sorrires, melhor ainda
Você é linda
E não há que negar (E não há quem vá negar)

Vem, minha bela, vem passear
Nesta aquarela
Luz do luar
Só tenho medo, isto se assume
Se, por ciúme, essa lua se ocultar

Pois sua beleza é abrangente
Minha princesa
Encanta a gente
Tenho certeza que esta lua
Desvia a luz pelo ciúme que ela sente

Madrinha lua, não seja crua
Não se amua
Com este ser
Esta menina, visão divina
Beleza fina que sequer assume ter

Minha menina, criação divina
Veja se atina
Quão bela és
Até a lua, vaidade crua
Já se amua, quando vê, cai ao seus pés

Fernando Lago - Julho de 2010

17 de jun. de 2010

A Memória e a Música


1 – De como comecei uma amizade com o velho Gonzaga

Foi no ano passado. Um dia de primeiras vezes. Primeira viagem universitária interestadual que eu fazia, a primeira vez que visitaria uma capital e a primeira vez que participaria de um Encontro Acadêmico numa universidade federal. Não tenho a menor vergonha de dizer que sou um caipirão à moda antiga. Não tenho vergonha, mas também não uso disso para me fazer de coitado. Sou pobre, nascido no interior do interior; mas assim muitos outros há. “Tantos Severinos, iguais em tudo e na sina.”

Mais de nove horas de viagem. Também era a primeira vez que fazia uma viagem tão longa. Meus limites eram São Mateus, ES do lado de cá e Porto Seguro, do lado de lá, de onde vim ainda pequeno. Mas isso não importa! Tantos outros têm limites tão menores, enquanto um bocadinho privilegiado tem limites tão largos que acham que nem tem limites... Mas, enfim!

Fomos de carro. Alguns outros foram de ônibus, mais tarde. Percurso longo, enfadonho, rodovia curvilínea. Bom mesmo é uma musiquinha, pra ajudar o veículo na sua comilança de estrada. Revirei o porta-CD’s da professora. Naquela longa jornada pudemos ouvir vários álbuns, mas dois deles marcaram muito e até hoje eu os escuto com muito prazer. Não sei explicar o porquê. Creio que os ouvi a ambos na volta. Talvez a saudade de casa, a emoção da viagem bem sucedida, o prazer de ter compartilhado com amigos tão queridos de uma quase-semana tão boa, tenham aumentado minha sensibilidade musico-sensorial e me proporcionado a memorização daquelas músicas. Especulação só! Não entendo patavina de psicologia!

Na ida, lembro de termos ouvido Pereira da viola, o CD ao vivo da banda Kid Abelha e uma coletânea de músicas de grandes cantoras como Adriana Calcanhoto, Ana Carolina e Marisa Monte. Mas pouco gravei destes. Até já tinha o DVD do Kid Abelha em casa, mas ouvia pouco. Ainda hoje só escuto de tempos em tempos... Não conhecia Pereira da Viola e confesso que não me lembro de nenhuma das músicas que ouvi na estrada... Não guardei nada dele, de forma que posso dizer que continuo não conhecendo o seu trabalho. Quanto à coletânea das nossas moças, eu já conhecia a maioria das músicas, então ouvi-las já trazia experiências de outras épocas e não fundou-se ali uma experiência nova através delas. Quero dizer que quando as ouço de novo, lembro de outras experiências e não necessariamente daquela.

O que me marcou mesmo foi o álbum Documento, de Raul Seixas e a Coletânea da Série Bis de Luiz Gonzaga, que escutamos na volta. O que eu conhecia do velho Gonzagão era o que todo mundo da minha idade conhecia. Algumas músicas isoladas, xotes, causos etc. nada muito concreto. Aquele momento, com todas as emoções acima citadas, com todas as primeiras vezes concretizadas, com a graça da capital mineira saindo das minhas narinas, com todos aqueles montes e planícies tão diferentes da paisagem eucaliptica das estradas do extremo sul baiano, parecia casar direitinho com a sanfona de Luiz Gonzaga e com a guitarra amalucada e o inglês abaianado de Raulzito. Talvez tenha sido esse o motivo de eu tê-las guardado em mim... Talvez. Não sei, porque como já disse não sou psicólogo e nem estudo nada da área. Tudo aqui vem da lábia do Censo Comum, o melhor amigo de Tertuliano Máximo Afonso, que de vez em quando me aparece por aqui também a dizer isto e aquilo outro.

Ao chegar em casa procurei ambos os discos na internet, com a desculpa de mostrar ao meu pai, que sempre gostou de ouvir os dois artistas. Achei Documento e outras coletâneas de Luiz Gonzaga, mas não a que eu queria. Seria um presente perfeito pro dia dos pais... Perfeito porque não era caro e era a cara do meu pai. Eu, quebrado e doido pra agradar ao velho, mas enrolado como fio de telefone. Passou a data, passou a idéia, mas não a vontade de achar o CD. Numa outra viagem, assim, sem nem pensar muito, entrei no Shopping Iguatemi, em Salvador, e acabei achando o bendito. Não era mais dia dos pais. Na verdade até o aniversário do velho já tinha passado. Mas comprei o CD assim mesmo. Pessoas especiais não precisam de datas pra ganhar presente. E além do mais, antes de entregar o CD a painho, tratei de salvar uma cópia em “Minhas Músicas”...

Toda vez que escuto as músicas de Luiz Gonzaga me vem á cabeça o percurso Teixeira – BH e tudo o que significou pra mim aquela viagem. Os cinco minutos de uma música podem comportar muito mais sentimentos do que se possa imaginar...

Fernando Lago – 15 de Junho de 2010

18 de mar. de 2009

Léo Mantovani e Banda Excelsis em Mucuri



Fomos convidados pelo cantor católico de Itabatã Léo Mantovani, irmão de caminhada e companheiro nessa jornada de evangelização através da música, para acompanhá-lo em um show na cidade de Mucuri-BA, no dia 14 de Março. Léo lançou o seu primeiro álbum em agosto do ano passado, e ficou entre os quinze mais vendidos de 2008 no ranking da CdCristão Mega Store, que inclui também DVD's e livros. O album No Teu Altar - Canções para Celebração Eucarística é uma obra realmente muito bem feita e não é preciso muito esforço para explicar a razão de seu sucesso. Basta ouví-lo.


O show realizou-se na festa de São José, padroeiro de Mucuri, e nós da Banda Excelsis tivemos a honra de fazer a abertura, adiantando algumas das músicas que fazem parte do nosso novo repertório. Contamos também com a participação especial de Luis Roberto Baukat, guitarrista da Banda Hipermetropia, de Itabatan (ou Itabatã) que também já acompanha Léo em seus shows.


Apesar do cansaço, das dificuldades enfrentadas, das viagens de lá pra cá para ensaios e de cá pra lá para o show, tudo correu muito bem e eu, particularmente, fiquei muito feliz de ter feito parte desta festa em honra e glória ao nosso Deus criador. E desde já afianço que todos os outros membros da banda ficaram muito felizes por este fim de semana maravilhoso, repleto de alegrias, partilhas, muita musicalidade e amizades advindas do Senhor Jesus.

Além de termos tocado com Léo no sábado, parte da Banda permaneceu em Mucuri no domingo para prestigiarmos o show de Kathyane, cantora católica dali mesmo de Mucuri, que também possui um álbum lançado recentemente, o CD Encontro. O show foi maravilhoso e valeu a pena ter ficado. Fomos muito bem acolhidos pelas pessoas da comunidade, o fim de semana foi maravilhoso e estamos de braços abertos para recebê-los aqui também na nossa cidade. E espero que tenhamos mais oportunidades de interagir com esses servos do Senhor, e que possamos levar a música de Deus ao coração desse povo sedento de Amor. 
                                               

31 de jan. de 2009

Não Precisamos da Tecnica?

Não foi apenas uma vez que me envolvi com outros músicos em discussão sobre tecnica e espiritualidade. Discussões pacíficas e necessárias; edificantes, até mesmo.

Outro dia, na adoração dos ministérios da missa na Paróquia NSª das Graças alguém falava sobre o pregador, que tem de sintetizar vivência espiritual, inteligência e oralidade para poder fazer com que suas palavras cheguem aos ouvidos e principalmente aos corações da assembléia. Imediatamente lembrei de fazer essa comparativa, puxando pro lado do músico. Ora, não basta apenas a espiritualidade de um músico para a música se tornar um louvor devido. Inegavelmente necessária, indispensável, mas nem sempre suficiente. Assim como a síntese entre a inteligência do pregador (sua oralidade) e sua abertura para com o Espírito Santo, faz com que suas palavras sejam um anúncio devido, a concatenação (todo mundo gostou dessa palavra) entre tecnica, espiritualidade e testemunho de vida para um músico são necessários para que Deus faça de nós um instrumento de sua palavra...

Um músico não vai conseguir tocar o coração de uma pessoa com um instrumento desafinado... Talvez, se estiver muito inspirado. Mas na maioria das vezes ele vai mais torturar ao outo e a si mesmo... O discernimento é indispensável ao servo de Deus, seja ele da área que for. E o músico tem que ter o discernimento do que é eo que não é musical (um músico sem musicalidade é o quê? Um poeta que não faz poesia?). Um batuquerê no meio de uma adoração, por exemplo, não é propício... Muito menos litúrgico! Ou uma melodia nostálgica na hora de pular em louvor a Deus, não faz sentido...

Da mesma forma, a pura preocupação com a tecnica, esquecendo-se da oração, do testemunho de vida e da vivência no espírito, fará do Ministério um simples grupo de tecnicos que se reunem para tocar para um punhado de gente numa igreja ou numa praça... A identidade do músico da igreja é ser igreja! Se o músico da igreja não age como quem é igreja, como estará no campo de batalha, representando a igreja, uma vez que se insiste em dizer que o músico é o batalhão de frente?

Antes de sermos músicos, somos cristãos, e como tal devemos agir... E me lembro muito bem de um conselho do meu então cordenador do grupo de oração, o irmão Antônio, logo quando começamos essa aventura de pregar o evangelho fora das quatro paredes de nossa comunidade: Tudo o que um cristão faz, deve ser precedido pela oração. Portanto, orem, meninos. Já vi muita banda se acabar por falta de oração.

14 de jan. de 2009

Ministério Gabriel agora é Banda Excelsis

O Ministério Gabriel nasceu há pouco mais de cinco anos, no grupo de oração da RCC chamado "Mensageiro Gabriel". Este foi também o primeiro nome do ministério (Conhecido também como Ministério MG). Algum tempo depois retiramos o Mensageiro e passamos a divulgar nos shows o nome de Ministério Gabriel. A partir de 2004 passamos a cantar nos shows músicas de nossa própria autoria. Os membros-fundadores são Erivelton, Fernando, Jandierre, Inglati, Paulo André, Patrécio. Mais tarde tivemos o Dil no teclado e o Júnior na bateria, completando a primeira formação do ministério. Com a saída de Júnior, Inglati e Dil, em meados de 2004, ocilamos entre vários bateristas e tecladistas, só voltando a completar a banda com a entrada de Ricardo em 2005, que deixou o Ministério posteriormente. Em 2007 o Ministério começou o ano com a entrada de Aninha, Poliana(voz), Pepê(bateria) e Léo (teclado). Agora em 2009, com a saída de Paulo André (que foi pra fraternidade O Caminho) e de Poliana e a entrada de Harley, Rayan e Nilson começamos mais uma etapa na nossa vida de evangelização.



O Ministério Gabriel inaugura em 2009 uma nova fase, com novos membros e um novo nome. Ministério Gabriel agora é Banda Excelsis, nome inspirado da expressão Glória In Excelsis Deo - Glória a Deus nas Alturas - do missal romano. Nossa missão continua a mesma: louvar a Deus e proclamar o evangelho atrvés da música. Nossos planos continuam também. Ouvir a voz do Senhor e caminhar para onde Ele nos mandar. Queremos, hoje e sempre, dizer para o Senhor: " Eis-me, Senhor, tudo deixei por ti. Senhor, meu amigo, assim lado-a-lado eu caminho contigo. Onde fores eu vou. Senhor, não Pergunto pra onde me levas. Se tu queres eu quero, se tu fores eu vou." (Mons. Jonas Abib).



Agradeço muito a Deus por cada pessoa que Ele colocou em nossa vida nestes cinco anos. Em nome da Banda e do Ministério (a gente continua a atuar em missas e encontros) eu ouzadamente falo: somos muito gratos a todos aqueles que fielmente intercedem por nós em suas orações. Louvado seja Deus por todos aqueles e aquelas que oram por essa missão. Graças dou por vós, irmãos. Conversando com uma dessas pessoas especiais eu disse que o Ministério não cai (apesar de balançar tanto) por dois motivos: "O amor que temos pelo ministério e pela música e as orações das pessoas por nós." Daí ela acrescentou: "Então são três, porque primeiramente ele não cai porque está no coração de Deus, porque se assim não fosse ele não teria acontecido... "



Deus seja louvado por tudo e nos ajude nessa missão. Que possamos proclamar sem medo, com ajuda daqueles "que amam e que nos amam" que Jesus é o Senhor de toda a Canção...

Amém

Nova Formação:

Vocal/Backing Vocal: Patrécio Rocha, Ana Caroline, Rayan
Violões: Erivelton Ferreira
Teclados: Léo Amaral
Contrabaixo: Fernando Lago
Guitarra: Harley Vieira
Bateria/Percursão: Pepê e Nilson
Apoio Tecnico: Isaque e Aline




PS.: Segue os links

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/bandaexcelsis/

http://www.excelsis.sonico.com/

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=18709895

God bless all you

27 de nov. de 2008

Alain Caron



Referindo-me há já alguns dias a Alain Caron, baixista canadense, disse algo sobre ele ser o troncho da vez. Pra quem não sabe troncho na língua musico-regional daqui de Teixeira é no "Dicionário Aurélio para Músicos de Teixeira de Freitas" músico que toca muito. Para comprovar minha afirmação (é claro que é sucetível de falha opinativa ou, como dizem por aí, gosto não se discute) ponho aqui dois vídeos do tal troncho. Enjoy!


17 de nov. de 2008

Música - arte inerente II (eu prometi, né)

Música é Vida!


Devo a vocês (promessa é dívida) uma continuação da memória transcrita a este humilde blog há poucos dias. É que eu contei-vos a minha imbecil história de como aprendi a violar tocão, digo, a tocar violão! Disse-vos que contaria em breve minha história com o contra-baixo.
Ao contrário de alguns grandes baixistas e de alguns não tão grandes assim, eu não escolhi o baixo. Alguns dizem: "eu via o Pixinga e resolvi tocar também!" Ou: "eu vi o Jack Bruce tocando e me apaixonei pelo instrumento' (pega até mal); ou ainda: "Mano o Flea toca demais e eu queria tocar igual a ele, por isso escolhi o baixo..." Eu não escolhi o baixo. E posso disser poeticamente, sem correr o risco de ser piegas que o baixo é que me escolheu, como acontece com um bocado de baixistas por aí.

O que aconteceu foi o seguinte. Tendo eu já aprendido a manejar o violão e a tirar um som mais ou menos dele (menos pra mais do que pra menos), alguns equivocados acharam que, por ser irmão de um baixista, eu sabia tocar baixo também. Eu tinha vergonha de dizer que não sabia nem que notas o baixo tinha. Um belo dia eu quase entrei numa fria. Tinha um baixo sobrando na igreja e o pessoal falou me apontando: bota esse menino aí pra tocar. Ele é irmão do baixista da São Francisco... Fugi. esquivei-me da maneira que pude; e o povo insistindo, porque achavam que era modéstia minha. Consegui escapar desta.

Mas foi a partir dessa situação que eu pensei: não é possível eu não saber nem uma notazinha de contrabaixo! E acabei descobrindo - por boca do próprio cabra que insistia em pensar que eu sabia tocar baixo - que as cordas do baixo nada mais eram que as quatro primeiras cordas do violão, com uma oitava abaixo. E me explicou o que era obvio: a primeira nota que se fazia no braço do violão, que era a tônica (perdoe ser tão tecnico), equivalia àquela nota no baixo... Creio que não me entenderam, porque sou péssimo em explicar essas coisas tecnicas. O importante é saber que eu descobri como se fazia uma nota no baixo, e que aprendi a identificar o seu som numa batida musical. Logo comecei a treinar tocando as músicas que eu tinha gravadas em casa (em K7, acredite se quiser), tirando de ouvido o baixo e executando nas três primeira cordas do violão. A que eu mais gostava era "Como és lindo" de Vida Reluz (Walmir Alencar): "Te olhar, te tocar e te dizer meu Deus como és lindo..." Eu achava harmonioso e ao mesmo tempo cheio de estilo.

Um dia, estando eu no grupo de oração Raio de Luz (saudades daquele tempo!) ouvi falar sobre o retiro do Musfec e dei um jeito de ir. Foi nesse retiro que a história toda começou: a minha como músico e a do Minstério Gabriel, que aconteceram concomitantemente. Foi neste inesquecível retiro de 2002 que eu conheci Isaque e Paulo André, dois meninos da comunidade São Lourenço, que até então eu nem sabia existir. Ficamos Paulo André, eu, Júnior - um grande amigo que hoje é seminarista - Bruno, Wanglis, entre outros santos no mesmo quarto. O retiro foi no centro diocesano e os quartos eram cômodos, com quatro beliches cada um, se minha memória não me engana.

Travei amizade com Paulo André, que ficava sempre junto com a minha turma por conta do quarto; e com Isaque, que também ficava junto por conta de Paulo André. É comum trocarmos convites de visitas aos nossos respectivos grupos de oração. Convidei-os ao Raio de Luz, que era o meu grupo na época; e eles me convidaram ao Mensageiro Gabriel, que é o grupo da comunidade são Lourenço, que como disse eu nunca tinha ouvido falar.

Neste retiro estava também Erivelton, que eu conhecia apenas por ser irmão de Tom, que tocava junto com meu irmão na São Francisco. Esses anacronismos são o melhor da história! Mesmo não conhecendo Erivelton direito, combinei de ir com ele ao grupo de oração "um dia desses". Quando chegou o "um dia desses" eu fui à sua casa e fomos ao tal grupo. Minha mãe, coitada, ficava com o coração na mão porque só ouvia más histórias sobre este bairro.

Numa certa segunda feira - o nosso grupo é às segundas feiras - Erivelton foi passar em minha casa para irmos ao grupo e me flagrou tocando "Como és lindo" nas cordas de cima do violão. Disse: Ah, você toca é baixo! Vamos lá! Vamos à igreja que você vai tocar baixo, profetizou.

Uma semana depois eu era chamado pra tocar baixo no grupo de oração, porque o baixista iria faltar. Fui. Foi a primeira vez que peguei em um baixo. Um desastre, pra quem entendia da coisa: dedos entrevados, batidas fora do tempo, ritmos sem noção... Desastre total! Mas como sou um ser humano teimoso, voltei na outra semana, e na outra e em todas as semanas em que Demir, o baixista oficial, faltava. Quando Demir saiu definitivamente eu me tornei oficial. Já então tocava um pouquinho melhor.





Eu com o Juninho - como Aline e Silvia (da então equipe de apoio do Min. Gabriel) apelidaram o baixo do Mensageiro Gabriel, o primeiro com que toquei na vida! - e Erivelton, grande amigo e irmão de ministério.



O processo foi longo. Digo, está sendo longo, pois ainda não acabou... Continuo aprendendo a cada dia. Sou um ser inacabado e, como já diz Erivelton, sem nem conhecer Socrates: cada vez que aprendo mais descubro que não sei de nada. Eu ainda busco crescer no contrabaixo. Minha grande dificuldade desde 2003 até hoje é não ter o instrumento em casa... E é isso que admira a alguns músicos que me conhecem. Sei pouco, mas o pouco que sei o sei sem "malhar" em casa, sem ficar horas na frente de um video tentando tirar os slaps do "troncho" da vez (o troncho da vez agora é Alain Caron). Mas eu espero crescer a cada dia mais. A vida não pára. Eu também não posso parar. Não posso e não quero. Viva a dialética!



Ministério Gabriel, formeção antiga: Jandierre, Eu, Erivelton, Patrécio e Paulo André; hoje contamos também com Poliana e Aninha no back vocal.

16 de nov. de 2008

Musica - arte inerente

Quem me lê neste ineficiente mas bem intecionado blog deve pensar que vivo a vida a escrever lorotas desta feitoria. A escrita não é minha única paixão, meus caros, sabem disso aqueles que me conhecem. No entanto, eu tenho dado pouca atenção a essa minha outra paixão, principalmente neste blog. Paixão esta que merecia de tudo, uma vez que é mais que uma paixão; é algo que faz parte da minha escência, que está inerente em meu ser. Apesar de eu viver às voltas com uma desilusão sentimental não é de mulher que estou falando. Além de ser um ser essencialmente romântico, como tenho dito por aí, sou um ser essencialmente musical e jamais poderei me desfazer deste dom, até porque eu jamais quereria.

O mais engraçado em minha história com a música é que eu não sonhava em ser músico quando criança. Ao contrário dos músicos mais consagrados eu não chorava musicalmente, não batia panelas com maestria e nem vivia correndo atrás de violão quando moloeque. Joguei bola, corri pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, tudo muito normal. não viajava quando via meu pai com o violão ou meu irmão com o baixo; não que eu me lembre. Cantava no banheiro. Era, talvez, a única coisa que me aproximava da música antes de vir para Teixeira de Freitas.


Quando mudei pra Teixeira descobri que meu irmão era mais que um rapaz que arranhava violão em casa. Era baixista na missa da São Francisco e tocava mais do que eu imaginava, e do que minha concepção de música podia alcançar. Via ele tocando violão e ficava intrigado. Há algun tempo atrás ele escrevera pra mim todas os acordes mais simples de violão e eu comprometi-me em aprender. Meu interesse foi tanto que eu perdi todos os acordes que ele me arrumara. Por que eu não sabia tocar violão?

Foi num dia útil. Meu irmão estava trabalhando e eu estava em casa assistindo um programa infantil da Angélica (eu gostava disso!). Fui ao seu quarto e encarei o violão. Parecia que ele me encarava também. Sentei na cama e tentei fazer uma das poucas notas que conseguiram me ensinar. O som não saiu muito bom, por isso desisti e voltei ao programa da Angélica. Entrou os comerciais e eu de novo encarei o violão, e ele respondeu da mesma forma que antes. Sentei novamente na cama e peguei o violão da maneira que sabia, desta vez recorrendo a uma revistinha daquelas que se vende nas bancas e que vem explicando o acorde no fim de cada música. Acreditem se quiser, foi ela que me ensinou a primeira música: "Eu vou com tudo, hoje eu não fico de fora se a saldade apertar eu chego o reio e meto a espora." Muito criticam minha pouca memória, mas eu lembro como se fosse hoje: a música começava com RÉ virava RÉ com Sétima e ia pra SOL. Consegui tirar o som da primeira estrofe e cansei. Voltei ao programa da Angélica.
Mais comerciais. Resolvi voltar e tocar as notas que aprendera. Tentei, tentei até que saiu. Transcendi da estrofe ao refrão e comecei a pertubar os ouvidos dos circunstantes, com voz de taquara rachada e notas abafadas, sem a menor noção de tempo musical. Anunciei no mesmo dia a todos que tinha aprendido a tocar. Riram da minha cara, obviamente, salvo algumas exceções. Dali pra frente não houve mais silêncio na casa e eu não sabia fazer outra coisa mais...
Ninguém - nem eu mesmo - acreditava que aquilo tinha algum futuro. Eu tocava como quem ama: apenas por tocar. "Te amo por que te amo", como diz o poeta de Itabira. Eu tocava porque tocava, não esperava nada em troca da música, com quem ama uma musa sem esperar nada em troca dela. Só a contemplação basta. Não demorei a me apaixonar perdidamente pela música. Logo eu tecia os mais incríveis sonhos, sem a menor esperança, é claro, de realizá-los; mas sonhava apenas. Sonhava. Por isso costumo dizer que a música é equivalente à minha amada. Amo sem pedir nada em troca. Mesmo que um dia eu fique incapacitado de tocar ou cantar, a música vai continuar a acontecer em minha cabeça e, principalmente, em meu coração.



Fernando Lago Santos - Baixista do Ministério Gabriel





Outro dia eu conto como eu acabei me tornando baixista, uma história ainda mais absurda...