Devem-se estar todos rindo agora. E com razão. Não precisam esconder com a mão os teus dentes, meus caros! Se vão rir, riam com sinceridade, riam com franqueza. Riam honestamente, porque eu honestamente reconheço que mereço o riso de vocês. Riam de mim, ó bocas perfeitas com dentes sem defeito! Estiquem-se de hilaridade, ó peles suaves as quais nunca toquei. E tu, bela princesa, reúna-te com teu príncipe para juntos festejarem em grandes gargalhadas o quão ridículo é este homem...
Eu, que desde pequeno tive aversão ao que é ridículo e sem graça; eu, que desde então odeio as coisas ridículas; eu, que sempre busquei andar em direção ao direito e elegante, percebo que nada tenho sido nessa vida além de RIDÍCULO. Achava que estava feliz e pulava ao som de músicas badaladas, imaginando que pensavam em mim e mal sabia que o destino me reservava uma punhalada. É triste, é cômico, é trágico, é tragicômico. Você construir todo um castelo em volta de um fato e de repente perceber que tudo era ilusão, que nesta história toda você era o único que levava a sério a construção desse castelo. Ora qual! Isso não é triste, não é cômico, não é trágico, não é tragicômico; isso é ridículo! E é por isso que mereço sim, todas as risadas que me lançam agora.
Apontem pra mim o seu dedo indicador! Gargalhem-se pondo a mão na barriga! Profiram palavras que exaltam o meu eu ridículo! Não fiquem tímidos, porque nessa vida só eu chego ao ridículo de ser tímido. Riam francamente e não se importem se eu não rir com vocês.
Mas mesmo eu acho engraçado. Achava que era um arauto, que a princesa se deslumbrava com meus versos de pé quebrado. E de repente percebo que não passava de um bobo da corte e que provavelmente era um bom divertimento para que passasse o seu tempo. Insisto, RIDÍCULO!
Cansei de ser romântico. Disse há alguns meses atrás que não mais negaria quem era: um ser essencialmente romântico, essencialmente filosófico, essencialmente musical. Mas já não quero mais isso. Negarei até a morte que sou romântico, porque não irei mais sê-lo. Não vale a pena. Basta-me ser filosófico e musical e, quando muito, científico. Não mais sairei por estas estradas, montado em meu cavalo, com a espada ou a pena em punho a buscar o meu verdadeiro amor terreno. Simplesmente porque não há verdadeiro amor terreno para mim. Esgotaram-se as minhas forças, as tentativas terminaram e amanhã amanhecerei um filósofo. Platão ou Aristóteles, Hegel ou Marx. Não, melhor amanhecer Jorge Camin, que ninguém conhece e que não conhece amor. Estou fechando o meu coração para reforma por tempo indeterminado. É favor não forçar a porta.
Um Amigo meu