18 de mar. de 2009

Léo Mantovani e Banda Excelsis em Mucuri



Fomos convidados pelo cantor católico de Itabatã Léo Mantovani, irmão de caminhada e companheiro nessa jornada de evangelização através da música, para acompanhá-lo em um show na cidade de Mucuri-BA, no dia 14 de Março. Léo lançou o seu primeiro álbum em agosto do ano passado, e ficou entre os quinze mais vendidos de 2008 no ranking da CdCristão Mega Store, que inclui também DVD's e livros. O album No Teu Altar - Canções para Celebração Eucarística é uma obra realmente muito bem feita e não é preciso muito esforço para explicar a razão de seu sucesso. Basta ouví-lo.


O show realizou-se na festa de São José, padroeiro de Mucuri, e nós da Banda Excelsis tivemos a honra de fazer a abertura, adiantando algumas das músicas que fazem parte do nosso novo repertório. Contamos também com a participação especial de Luis Roberto Baukat, guitarrista da Banda Hipermetropia, de Itabatan (ou Itabatã) que também já acompanha Léo em seus shows.


Apesar do cansaço, das dificuldades enfrentadas, das viagens de lá pra cá para ensaios e de cá pra lá para o show, tudo correu muito bem e eu, particularmente, fiquei muito feliz de ter feito parte desta festa em honra e glória ao nosso Deus criador. E desde já afianço que todos os outros membros da banda ficaram muito felizes por este fim de semana maravilhoso, repleto de alegrias, partilhas, muita musicalidade e amizades advindas do Senhor Jesus.

Além de termos tocado com Léo no sábado, parte da Banda permaneceu em Mucuri no domingo para prestigiarmos o show de Kathyane, cantora católica dali mesmo de Mucuri, que também possui um álbum lançado recentemente, o CD Encontro. O show foi maravilhoso e valeu a pena ter ficado. Fomos muito bem acolhidos pelas pessoas da comunidade, o fim de semana foi maravilhoso e estamos de braços abertos para recebê-los aqui também na nossa cidade. E espero que tenhamos mais oportunidades de interagir com esses servos do Senhor, e que possamos levar a música de Deus ao coração desse povo sedento de Amor. 
                                               

13 de mar. de 2009

Laconia

Eu nada trago além de mim mesmo. E aquele medo ilusório da ilusão.
              (Fernando Lago - 12 de Março de 2009)

6 de mar. de 2009

Lostmente perdido

(...) De repente, surge à minha frente um sujeito muito branco, com cara de gringo, que sorriu simpaticamente ao ver-me aproximar. Estacionei a bicicleta perto dele e, sem apear, perguntei-lhe:

- Por favor, o senhor pode me dizer onde estamos?

- What? - disse o sujeito

- Que bairro é esse?

- I'm sorry! I cannot understand you...

- Ah... - fiz conclusivamente, sacando que o homem com cara de gringo era gringo mesmo. E pior; não falava português. Boa bisca!

- Where we are? - Embromei no meu parco inglês - I'd like to go at Vila Caraípe. 
(...)

- We're in USA - disse o cara com o mesmo ar sorridente de gringo.

- Coméqueé, rápá?

- Excuse-me? - fez o américa sem entender.

- Excuse-me?

- Excuse you what?

- Excuse-me, I cannot understand, you said we are..? - Esclareci.

- In USA. Just here! - Fez ele abrindo os braços...

- Vc tá pirado! Yo're crazy! I'm lost, I was looking for Vila Caraípe, I'm in Teixeira, Bahia...

- What the f... You are crazy! I was walking above Manhatan, crossing an avenue. I was looking for my friend, I'm also lost. But here is United States of America I'm sure!

- God Save the Queen! - falei ironicamente!

- The britanish say this, not us... Don't be ridiculous!
(...)
A discussão prometia. Nenhuma das duas partes cedia. Um homem de chapéu grande ia passando pela rua, assoviando tranquilamente. Eu e o gringo tivemos a mesma idéia: abordar o transeúnte a fim de resolver de uma vez por todas aquela peleja.
O passante chegou se assustar ao ver-nos afoitos, nos aproximando dele.

- Estamos no Brasil? - indaguei segurando o braço direito do homem.

- Are we in Usa? - disse o gringo segurando o braço esquerdo e obrigando o cara a olhar pra ele.

- No señor - disse calmamente o passante - nos otros estamos en Mexico!

Fernando Lago Santos - 2005

27 de fev. de 2009

Confissão (Fernando Lago)

Confesso que tenho um defeito
Sou homem direito
E tenho direito
De me apaixonar

Confesso chorar de mazela
E estar com ela
Me faz gostar dela
Sem me controlar

Confesso que tenho segredo
Que não tenho medo
Mas me arremedo
Pra não revelar

Confesso que tenho temores
Tenho dissabores
Dos doces sabores
Do amor de te amar

Confesso que amar é difícil
Requer sacrifício
Mas é meu ofício
Quero me aplicar
E me complicar
Quero me entregar
Me comprometer
Me arremeter
Pra nunca falhar
No meu compromisso
De amar você

Confesso que tenho a vida
Muito dividida
Há pouco vivida
Pro mal ou pro bem

Confesso manter desalinho
Estou no caminho
Por isso caminho
Sem ter um vintém

Confesso não saber por onde
Minh’alma se esconde
Eu entrei num bonde
Que não tem ninguém

Confesso ficar abismado
Muito abilolado
E estar ao seu lado
É o meu maior bem

(Fernando Lago)

22 de fev. de 2009

Influências diretas - de ontem e de hoje

Drummond
"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho..." etcetcetc

"Mundo, mundo, vasto mundo
Se eu me chamasse raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução"

"Stop.
A vida parou.
Ou foi o automóvel?

"Machado"
Não sei se lhe meti alguma rabugem de pessimismo. Pode ser. Obra de finado; escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. E não é possível antever o que poderá sair desse conúbio."

"Não há espetáculo sem platéia"

"Não te irrites se te pagarem mal um benefício. Antes cair das nuvens que de um terceiro andar."

Oswald de Andrade

"Amor
Humor"

"Qué aapnhá sordado?
Quê?
Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada."

"Num baile da corte
foi o conde D'eu que disse pra dona Benvinda
Que farinha de Surui, pinga de Parati e fumo de Baependi
É cumê, bebê, pitá, cai!"

Jô

"Endes de nais mada, puando fui convirado para hojenamear com um dissuro, o meu zeprado aguimo, cujo mone me lhafa a moméria..."

Esses são os que posso citar de cabeça, tô com preguiça de pesquisar citações na Web e em livros que tenho em casa. Os acima citados são coisas que ficaram gravadas na cabeça, sem precisar de muito esforço pra lembrar. Por isso mesmo peço que perdoem um errinho aqui ou acolá na fidelidade das citações. Minha memória também falha... Algumas influências, advirto, não podem ser percebidas em minha escrita. Ou porque contribuiram apenas pra minha oratória; ou porque serviram apenas pra divertir-me, mas, por isso mesmo são importantes.

Mas, pra não ser injusto, cito também os nomes dos cabras dos quais não tenho citações na cachola, mas de quem também sou muito fã e recomendo qualquer leitura de sua autoria:

Veríssimo
Millôr
Braga
Mário de Andrade
Orthof
A. Maria Machado
Ziraldo (até ele!)
Uris
Puzo
e alguns outros contemporâneos...

Por que fiz isso? Sei lá! Talvez sabendo quem eu mais gosto de ler vcs entendam porque escrevo tanta baboseira... Acho que a soma de diversos gênios numa cabeça não muito genial, causa um distúrbio sério.
Já chega! Vou dormir...

(Esse texto vai ser reeditado, à medida que eu for lembrando mais citações. Mas estou me aut-desafiando: Não vou consultar nada pra pôr aqui. Só citarei o que me estiver na memória.)

Fernando Lago

18 de fev. de 2009

A História de Torres

Diz que Torres era um cara
Que roubava pra valer
Mas ele justificava
Dizendo que só roubava
Para ter o que comer

Ele não pensava muito
Nas suas perpetrações
Chegava e roubava mesmo
Lugar cheio, lugar esmo
E não dava explicações

Ponta de cigarro velho
Pedaço de pão dormido
Não fazia distinção
E nem discriminação
Era ladrão assumido

Mas nunca ficava preso
Aquele pobre coitado
Polícia sempre pegava
Mas logo verificava
Que era um esfomeado

Querer até que queria
Se hospedar na dona justa
“Assim eu encho a barriga
Mato a fome das lombriga”
Zombava de cara enxuta

Certa feita, o velho Torres
Meteu os pés pelas mãos
Roubou de quem não devia
E o flagrante lhe exigia
Cumprir uma punição

Furtou-se em defender-se
Porém ninguém lhe escutou
“Vais encarar a justiça
Por causa de tua cobiça”
Um dos homens lhe falou.

Ficou tranqüilo o ladrão
Pois sabia no que dava
Em se encarar a justiça
Podiam chamar a polícia
Ele sempre se safava

Riu-se o homem e lhe disse
“Não haverá camburão
Pois já lhe sentenciaram
E todos o condenaram
A perder as duas mãos”

Riu-se o nosso Torres
Com um riso camarada
Pois então o puniriam?
As suas mãos cortariam?
Só podia ser piada!

Mas assustou-se ao ver
O carrasco carregando
Um poderoso facão
E posicionar sua mão
Numa pedra lhe ordenando

Não se mexa, do contrário,
Ao invés de sua mão
Cortar-te-ei a cabeça
Portanto não me aborreça
E aceite sua punição

Não houve jeito se não
Aceitar sua sentença
Agüentar aquela dor
Ver sumir-se com horror
A sua subsistência

E disse: “Vocês, capetas
Tiraram meu ganha-pão
Tudo que sei é roubar
E pra me alimentar
Eu tinha que ser ladrão”

“Some daqui, fi’ da peste!
Toma o caminho de trás!
Recebeste teu castigo!”
Disse, e rindo consigo:
“Esse rouba é nunca mais!”

No entanto estava errado
O maléfico algoz
Pois sem mãos para roubar
Torres passou a pensar
Tornou-se astuto e feroz

Vive numa casa de luxo
Roubou do doutor num jogo
Que na trapaça ganhou
Mas ele não se emendou
E mesmo com o dinheiro
Que ele já “conquistou”
Continua com um plano:
Vai roubar o povo insano
Que às suas mãos cortou.

Foi assim que me contaram
E é assim que eu vos passo
Ratifico as palavras
Na poeira do espaço
Aqui não se diz mentira
Não me acuse de homem falso
Do que digo tenho prova
O que não tenho eu faço.


Fernando Lago – 15 de Fevereiro de 2009