23 de set. de 2010

Folia

Imagem: Quadro de Di Cavalcanti - In: Blog Pensamentos & Entrevistas



Ali me apresentaram um tal de amor
Nos olhos castanhos da moça bonita
E eu,
Conhecedor dos platonismos da vida
Quis fugir a mais essa maçada.

Mas este homem tem mente fraca
Governam-lhe os sentimentos ambíguos
E as belezas diante dos seus olhos
Instam por serem admiradas

A loiridão dos cabelos dela,
Amorenados pelo calor,
Convidativos como uma rave,
Misturava-se à luz do sol numa sinfonia de imagens

Mas os olhos enlouqueciam
E ante a loucura predita dobravam-se
Tornavam-se escravo do escravo
Apenas para serem contemplados no ato de contemplar

Músicas suaves
Sambas e rocks
Remelexos baianos e maranhenses
E os olhos nos olhos dela

A vida passa rápido
Um instante é muito pra ela
A vida passa rápido
Justamente como a vida deve passar

E na cabeça
Restam apenas as promessas não oficializadas de reencontro
Mas carimbadas por um olhar

Fernando Lago Santos – 09 de Fevereiro de 2010

10 de set. de 2010

Oceano de Emoções



Mergulharei nos teus olhos, meu bem
E nadarei na conjuntiva, no teu globo ocular
Me apaixonarei por tua íris
Enviarei ao teu cérebro poesias e galanteios
Através do teu nervo óptico.

Todos os elementos que compõem este teu olhar desconfiado são belos
Inclusive a própria desconfiança
Seus olhos são duas castanhas, sem caju
Abandonadas pelo mundo e embebidas por lágrimas desorientadas

Meu anjo
Aqui e ali nos veremos
E poderemos trocar experiências e beijos
Mas por tudo que há de sagrado
Pelo cafezinho depois do almoço
Pelo cigarrinho depois do café
Pela cervejinha depois do cigarro
Por favor, não chore
Que não se desperdicem as águas dos teus olhos
Que ainda tenho muito que desbravar por elas
Submerso neste teu oceano de emoções

Fernando Lago – Fevereiro de 2010

10 de ago. de 2010

Companhia


Se respiro o teu ar
Falta-me ar

Fico sem jeito com teu jeito de não me amar
E me afirmo no teu jeito de negar
Minhas tentativas inegáveis de conquista

Teu sorriso terrivelmente lindo
Faz-me louco
Faz-me pouco
Diante do que há
De amores pra ti no mundo

E o melhor de tudo é sentar
Com o peito ao pára-peito da janela
E olhar as belas criaturas femininas
Brasileiras
Passarem em passos franceses pela Avenida do governador

Mas nenhuma se iguala a ti...

Fernando Lago – Junho de 2009

6 de ago. de 2010

Micro poemas


         I
Ando na rua
Coisas olho
Que me olham
E no entreolhar das coisas
Não vejo nada interessante
E continuo andando...

         II
A menina da rua à direita
Chora, dizem, por mim.
Chora por nada, então
Nada eu faço pra ela ou por ela
E ela ainda chora!
Com lágrimas
Que sem lágrima não é choro; é só escândalo.

          III
Aquele pé de mangaba
Chefe da minha infância
Caiu hoje ao chão
Em seu lugar
Plantado está um enorme prédio
Onde nascerá uma fábrica de sucos artificiais.
Tem de mangaba.

         IV
Plantaste tua semente, querida,
Plantaste tua semente
Mas a terra não é boa...

          V
Mas que me importa que tenhas cachorro
No quintal do teu coração
Eu sei lidar com os cães...

         VI

E disse: Querido,
Te amarei eternamente
Enquanto tiveres carro.

         VII
E disse: Querida
Te amarei eternamente
Enquanto estiveres jovem.

Fernando Lago – Dezembro de 2009

31 de jul. de 2010

Há uma lua



Advertência


Sou um inventador de modas. Modas que não viram tendência e que ninguém segue, além de mim, mas modas. Minhas. Esta é mais uma. Ficar gravando músicas diletantemente. Como não bastasse a diletância de versificar, passo a melodiá-las e a captá-las. Isto tudo é apenas pra dizer que o conteúdo do áudio aqui posto é de minha total irresponsabilidade. Tenho dito.


 Há uma lua by nandescritor



Há uma lua

Há uma lua que só se vê
Do fim da rua
Ao anoitecer
Se eu fosse o dono, eu te daria
Seria pouco, nada tenho a oferecer

Se tu quiseres, eu vou pedí-la
Diz-me se queres
Adquiri-la
Eu subo ao dono e a imploro
E não demoro se conseguir possuí-la

Se me olhar já
Valeu a pena
Musa pequena
Te agraciar
Se me sorrires, melhor ainda
Você é linda
E não há que negar (E não há quem vá negar)

Vem, minha bela, vem passear
Nesta aquarela
Luz do luar
Só tenho medo, isto se assume
Se, por ciúme, essa lua se ocultar

Pois sua beleza é abrangente
Minha princesa
Encanta a gente
Tenho certeza que esta lua
Desvia a luz pelo ciúme que ela sente

Madrinha lua, não seja crua
Não se amua
Com este ser
Esta menina, visão divina
Beleza fina que sequer assume ter

Minha menina, criação divina
Veja se atina
Quão bela és
Até a lua, vaidade crua
Já se amua, quando vê, cai ao seus pés

Fernando Lago - Julho de 2010

20 de jul. de 2010

Habileté d'aimer



Se eu amasse como amam
Os que amam de verdade
Seríamos tão felizes
Mas o amor não é um jogo
Não há profiles definidos
Nem macetes para passar à próxima fase

Nem é verso de poesia
Pois aqui e ali se tenta aplicar
A velha regra das sílabas métrico-poéticas
E eu particularmente não vejo unidade nestas coisas...

Se eu amasse como amam
Os que se aturam a cada dia
Talvez pudéssemos ser um
Como nos pedem os padres
Mas não sei que seja isso, na verdade

Se eu amasse como amam
Os que sabem que se amam
Talvez o amor seria
Algo real para nós
Mas só amo como amo...

Fernando Lago - Outubro de 2009