16 de nov de 2008

Musica - arte inerente

Quem me lê neste ineficiente mas bem intecionado blog deve pensar que vivo a vida a escrever lorotas desta feitoria. A escrita não é minha única paixão, meus caros, sabem disso aqueles que me conhecem. No entanto, eu tenho dado pouca atenção a essa minha outra paixão, principalmente neste blog. Paixão esta que merecia de tudo, uma vez que é mais que uma paixão; é algo que faz parte da minha escência, que está inerente em meu ser. Apesar de eu viver às voltas com uma desilusão sentimental não é de mulher que estou falando. Além de ser um ser essencialmente romântico, como tenho dito por aí, sou um ser essencialmente musical e jamais poderei me desfazer deste dom, até porque eu jamais quereria.

O mais engraçado em minha história com a música é que eu não sonhava em ser músico quando criança. Ao contrário dos músicos mais consagrados eu não chorava musicalmente, não batia panelas com maestria e nem vivia correndo atrás de violão quando moloeque. Joguei bola, corri pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega, tudo muito normal. não viajava quando via meu pai com o violão ou meu irmão com o baixo; não que eu me lembre. Cantava no banheiro. Era, talvez, a única coisa que me aproximava da música antes de vir para Teixeira de Freitas.


Quando mudei pra Teixeira descobri que meu irmão era mais que um rapaz que arranhava violão em casa. Era baixista na missa da São Francisco e tocava mais do que eu imaginava, e do que minha concepção de música podia alcançar. Via ele tocando violão e ficava intrigado. Há algun tempo atrás ele escrevera pra mim todas os acordes mais simples de violão e eu comprometi-me em aprender. Meu interesse foi tanto que eu perdi todos os acordes que ele me arrumara. Por que eu não sabia tocar violão?

Foi num dia útil. Meu irmão estava trabalhando e eu estava em casa assistindo um programa infantil da Angélica (eu gostava disso!). Fui ao seu quarto e encarei o violão. Parecia que ele me encarava também. Sentei na cama e tentei fazer uma das poucas notas que conseguiram me ensinar. O som não saiu muito bom, por isso desisti e voltei ao programa da Angélica. Entrou os comerciais e eu de novo encarei o violão, e ele respondeu da mesma forma que antes. Sentei novamente na cama e peguei o violão da maneira que sabia, desta vez recorrendo a uma revistinha daquelas que se vende nas bancas e que vem explicando o acorde no fim de cada música. Acreditem se quiser, foi ela que me ensinou a primeira música: "Eu vou com tudo, hoje eu não fico de fora se a saldade apertar eu chego o reio e meto a espora." Muito criticam minha pouca memória, mas eu lembro como se fosse hoje: a música começava com RÉ virava RÉ com Sétima e ia pra SOL. Consegui tirar o som da primeira estrofe e cansei. Voltei ao programa da Angélica.
Mais comerciais. Resolvi voltar e tocar as notas que aprendera. Tentei, tentei até que saiu. Transcendi da estrofe ao refrão e comecei a pertubar os ouvidos dos circunstantes, com voz de taquara rachada e notas abafadas, sem a menor noção de tempo musical. Anunciei no mesmo dia a todos que tinha aprendido a tocar. Riram da minha cara, obviamente, salvo algumas exceções. Dali pra frente não houve mais silêncio na casa e eu não sabia fazer outra coisa mais...
Ninguém - nem eu mesmo - acreditava que aquilo tinha algum futuro. Eu tocava como quem ama: apenas por tocar. "Te amo por que te amo", como diz o poeta de Itabira. Eu tocava porque tocava, não esperava nada em troca da música, com quem ama uma musa sem esperar nada em troca dela. Só a contemplação basta. Não demorei a me apaixonar perdidamente pela música. Logo eu tecia os mais incríveis sonhos, sem a menor esperança, é claro, de realizá-los; mas sonhava apenas. Sonhava. Por isso costumo dizer que a música é equivalente à minha amada. Amo sem pedir nada em troca. Mesmo que um dia eu fique incapacitado de tocar ou cantar, a música vai continuar a acontecer em minha cabeça e, principalmente, em meu coração.



Fernando Lago Santos - Baixista do Ministério Gabriel





Outro dia eu conto como eu acabei me tornando baixista, uma história ainda mais absurda...



Um comentário:

  1. Lindo post brother

    É interessante que venho refletindo isso comigo mesmo, o poder do sentimento da música.

    Já conhecia um pouco (quase nada) da sua história, vlw por compartilhar.

    Músicalidade é sentimento, é o que da vida a musica, resumindo: é amor!

    tamu junto

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Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?