30 de dez de 2008

Conselho Amoroso (2006)



Nunca diga coisas doces
Se sua amada for diabética
Nunca lhe mande uma poesia
Se acaso ela for disléxica
Nunca a chame de louca
Mesmo se assim a souber
Escute o conselho de um homem
Que de tão experiente
Nunca teve uma mulher

Fernando Lago - 2006

Proposta



Vai, meretíssimo!
Diz a eles que sou inocente
Aceita a proposta indecente
Que te faz esse 'homem de bem'

Vai, digníssimo
Pega "as verdinha" e esconde
E se alguém perguntar tu respondes
Ganhei na loteria, Amém!

Fernando Lago - 2006

27 de dez de 2008

Querida

Querida
Se puseres a aliança de latão
- que te dou
No teu dedo
Serás a mulher mais feliz do mundo

Se vestires a roupa de chita
- que te dou com carinho
Serás a mulher mais fashion do mundo

Se usares o sapato de pano
Que comprei na lojinha da esquina
Não sentirás mais frio em teus pés

Se puseres a aliança de ouro
- dezoito quilates
O vestido de seda
- de quinze mil dólares
O sapato de couro
- incalculável
Que ele te dá
Poderás ser a próxima testemunha da CPI.

Fernando Lago - 2006

25 de dez de 2008

É Natal!!!!!!!!!!!!!!!!


Galera, desejo a todos os meus clientes e amigos... Nananananão! Isso é mensagem de empresa... E, afinal, eu não tenho clientes! Já chega dessa mania burguesa de transformar tudo em mercadoria!

Desejo a todos os meus amigos... Bom, mas nem todo mundo que me lê é meu amigo, né? O cara pode ter ido procurar um outro Fernando Lago qualquer por aí e me achou e tá perdendo tempo lendo o post, por não ter nada melhor pra fazer... Acredite, há outros Fernando Lago neste mundo! Eu mesmo já digitei meu nome no site de buscas e... Aliás, será que alguém mais já fez isso? Digitar seu próprio nome na busca? Idiotice minha, né? Enfim...

Desejo a todos os meus leitores... É, esse seria o melhor tratamento, mas sôa com uma antipatia do caramba! Parece até que sou escritor famoso e que há mais de meia dúzia de gente que lê esse blog... Sôa meio: "Eu sou o escritor! Hasta la vista baby!" Não, minha meia dúzia de amigos... Sim, meia dúzia, minha gente! Olhem que estou sendo ainda mais pretencioso que Brás cubas, que previu "Cinquenta ou dez... Dez? Talvez cinco!" leitores para as suas Memórias Póstumas... Eu ainda digo meia dúzia, expressão mais elegante pra minha linguística...

Desejo a todo e qualquer ser humano dotado do dom da leitura e que aprendeu a usá-lo; e que, munido deste magnífico dom, dignou-se à indigna atividade de leitura destas espatafúrdias linhas (que só são certas por estar em um computador, e mesmo assim, sabe lá!), desejo, meus camaradas (camarada também não é bom, mas perdoa-se essa) um Feliz Natal!!!

É verdade, é natal... Só eu mesmo pra estar acordado a essa hora, escrevendo galhofas neste treco (mistura de televisão com máquina de datilografar) que há alguns anos eu mal sabia que existia... Já se foram dormir, apagou-se a ceia, esvaziou-se a casa e aqui estou eu...

Gente, não repare nas besteiras não... É madrugada! É Natal! E ainda por cima, ando meio engraçadinho ultimamente... Somando-se esses fatos, acho que mereço vosso perdão... É isso, é a hora neutra da madrugada... Mas Bebu não está aqui comigo (graças a Deus!). Isso é lá exclusividade do Rubem Braga, que anda se encontrando com esse cafre nas horas neutras da madrugada... Minha hora neutra é silenciosa... Só se ouve, lá de vez em quando, o barulho de um ou outro carro passar no asfalto, aqui na frente... Coisas urbanas...

Também não apareceu por aqui o Papai Noel, nem o fantasma do natal passado... Ouvi um ruído suspeito, parecido com o de uma rena, mas tenho pra mim que era alguém roncando... Vi também algo parecido com um fantasma, mas era a vizinha iluminada de tanta purpurina na roupa vermelha. Se tem o rosto bonito eu não sei, nunca vi seu rosto... Tem sempre um pouquinho de maquiagem tampando...

Quanta Besteira num só lugar! Reparem não... É a madrugada... Tenho sido constantemente louco, impassivelmente contraditório nesse horário... Mas, afinal, "a essa hora da madrugada, um homem tem o direito de ser contraditório, não é?"

Feliz Natal, galera! E, se eu não postar mais nada aqui até lá, Feliz ano novo!!!!

Tenho dito!

Fernando Lago Santos, Teixeira de Freitas, 25 de Dezembro de 2008


Pintura

Pintura 

Quando vi-te estavas sentada

O olhar fito no horizonte

E vista assim pensativa

Parecias uma obra de arte

Da Vinci ou algo melhor

(Já sei! O maior dos artistas!)

 

O contraste do ambiente

Em que tu tão bela estavas

Era incomensurável

O gramado era verde

O céu azul anil

Teu quase-rir davincciano

Envolvia com doçura

Indescritivelmente forte

Quem se aventurava a olhar

 

A grama, as árvores, a brisa

O céu azul e os pássaros

Tudo contribuía

Para a beleza do quadro

 

Porém o verde do gramado

Não era mais belo

Ou mesmo mais brilhante

Que o verde dos teus olhos

E nem se prestava à disputa

Pois se conhecia derrotado

A beleza da pintura

Centralizava-se em ti.

 

Quem me dera quem me dera!

Ter quadro tão precioso

Em minha indigna coleção

 

Poder-se-ia tirar a grama

Poder-se-ia tirar o céu

As árvores e a brisa

(Que teus cabelos são belos ainda sem balançar)

Dava-se-me apenas tu

E eu ficaria contente

Ou mesmo realizado

Até bem aventurado...

 

Fernando Lago Santos – 19 de Dezembro de 2008

19 de dez de 2008

♪♪ Se meu violão não mente ♪♪


Se o meu violão não mente você vai estar aqui

Seu olhar tão envolvente a me iluminar

Se o meu violão não mente eu vou escutar

A melodia de tua voz

Falando muito sobre nós

Cantando os contra e os prós

Deste santo almejar

 

Mas meu violão nem sempre é tão sincero

Só espero que agora esteja sendo

Ele sabe, meu amor, que estou sofrendo

Sua ausência, essa demência, de amar-te tão distante

 

Mas meu violão sabe muito bem que eu quero

E me esmero sempre sempre prometendo

Que, se você não vem, me empreendo

Em essência nesta crença de buscar-te neste instante

 

Se o meu violão não mente

Quando aos meus dedos sente

Deslizar tuas finas cordas

 

A extrair solos loquazes

Sabe lá se são verazes

Sabe lá se me concordas

 

Ah, meu violão!

É um sujeito muito estranho!

 

Fernando Lago Santos – Dezembro de 2008

17 de dez de 2008

E haja sapatos!



Sabe aquela história da tal imagem que diz tudo? É mais ou menos por aí, essa postagem. Eu nem precisava escrever nada aqui, mas fazer o quê? Minhas mãos são iquietas.

É que o pessoal dos EUA - Bush e Companhia - e seus aliados e defensores neste mundão sem controle ainda insiste em pregar a popularidade do governo deste senhor no Iraque. Oras, amigos! O histórico do Bush não é lá grande coisa. Não se lembram da história das perigosíssimas armas nucleares no Iraque, que ninguém nunca viu (talvez além de perigosas eram invisíveis), e que mesmo assim causou uma guerra desnecessária e idiota? Depois reclamam quando o Chávez (outro gênio indomável) encapeta a figura do "Homem mais poderoso do mundo" perante a ONU... E depois reclamam e indagam por que será que os Estados Unidos pensam que podem tudo... É porque parece que podem mesmo! Derrubaram Saddan, conseguiram matá-lo e a todos os seus familiares ligados ao poder (e os caras são do país símbolo da liberdade democrática do capitalismo!), criaram um protetorado no Iraque e ainda andam aí, fazendo visitas surpresa... Aí haja sapato, né!

Não acho que o jornalista iraquiano tenha feito uma coisa que muitos de nós não teríamos feito com um pouco de sangue frio (ou quente, sei lá) e um sapato raivoso na mão. Verdade! Quando os deputados ou senadores vierem "consultar as bases" vou aconselhar um projeto de lei que determine que todos tenham o direito de jogar sapato no Bush. Aí quem vai dobrar a crise são as fábricas de sapato, porque, repito, haja sapato! 

Fernando Lago Santos - 17 de Dezembro de 2008

16 de dez de 2008

Composta para Atividade de escola


 - Oh, minha amada!
    Que fazes tu aí parada
    A contemplar a enseiada?
    Terás tu um novo amor?

 - Novo amor? Novo amor?
    Ah não, companheiro!
    Penso em minha vida
    Em quem fui e em quem sou

 - E quem foste? E quem és?

 - Quando a enseiada responder-me
    E em minh'alma eu conter-me
    A resposta eu te dou.

 Fernando Lago Santos - 2005


Se Você Fosse música                                 

Você ri e muda o mundo
Mudo eu fico
Penso a fundo
E afundo em seu sorriso
Seu olhar logo enlouquece
O meu olhar
Que agradece
A loucura de te amar

Seu andar que deixa louco
O caboclo
Que se atreve
A acompanhar seu caminhar
Sua boca de cereja
Que beleza
Bela, estela
Estrela d’alva a brilhar

Você é toda bonita
Deixa qualquer perna bamba
Moça de beleza infinita
Se você fosse música seria samba


Ritimada na batida
Abatida a batida
Se alegra quando passa
Sua graça me engraça
E me passa o calor de eterno amor

E meus olhos vão seguindo
E sambando com seu samba
Seu olhar me deixa bamba
O seu samba me assombra
Amoroso é seu jeito de assombrar

Santos, Fernando Lago. Poesias 2008


14 de dez de 2008

Resenha da microssérie Capitu



A primeira coisa que pensei ao terminar de ler Dom Casmurro – lá se vão cinco ou seias anos, eu tinha catorze anos (perdoa-se a igenuidade da idade) – foi em crescer, me tornar diretor ou cineasta e adaptar fielmente a obra para a TV ou o cinema. Eu achava que todos compreendiam bem o Bentinho, suas idéias, seus desejos, suas vontades e, portanto, seria aplaudido por minha idéia. Bom, eu o compreendi por que o achava parecido comigo. Tudo o que ele fazia parecia com algo que eu já tinha feito ou gostaria de fazer na vida. Sua calma, sua timidez, sua ironia ao escrever, tudo me lembrava a mim mesmo.
Ao ouvir dizer de uma adaptação televisava na Globo logo pensei: “Tenho que ver essa. Vamos ver se vai ser como eu faria”. Decepcionei-me totalmente... Na verdade, antes mesmo de assistir já imaginava que não cumpriria a função de representar a genialidade de Machado, mas achei que antes de uma crítica definitiva eu devia assistir pra ter certeza. Assisti e não gostei. Já na primeira cena que vi o diálogo me desagradou. Não vi a elegância das palavras dos personagens Machadianos. Pareciam estar forçando um drama que não há nem na narração nem nos diálogos de Dom Casmurro.
Como parei de assistir desde a primeira cena, analisarei aqui apenas alguns pontos, visíveis nas chamadas e nos anúncios feitos com tanta ênfase nos programas “culturais” da emissora:
1 - Os personagens parecem palhaços. Tudo bem, isso pode ser o estilo pessoal do diretor, aquela coisa da maquiagem cadavérica do José Dias, das roupas espalhafatosas e que pouco têm a ver com o estilo do livro. Bom, eu não gosto, mas ele e outras pessoas podem gostar. No entanto, tem que pensar que se está adaptando uma obra de cem anos de gloriosa história. Toda a adaptação deve zelar pela autenticidade da obra, assim penso.
2 - Os diálogos são incrivelmente bobolóides e dramáticos, fugindo aos sons que tínhamos na memória. Que quero dizer? É que parecem exagerados, cheio de um dramatismo que não há em Machado. O Bentinho parece um moleque dengoso ao se dirigir a Capitu. Ele é tímido; ser tímido não é ser dengoso. Eu sou tímido e não sou dengoso! O velho Bento Santiago narra a história como um velho cansado e acabado. Dom casmurro não aparentava a velhice. Ele mesmo diz que as pessoas lhe davam menos anos do que ele tinha. Além disso, ao narrar as suas memórias, Bentinho é sarcástico, irônico, filosófico, jamais dramático.
3 - Os capítulos curtos só confortam a leitores, não a espectadores. O estilo consagrado de Machado de fazer capítulos curtos, e que tanto ajuda a leitores preguiçosos como eu, não serva para a TV. Na Televisão ninguém quer a cena a todo instante para ouvir um título. Se ao menos ele apenas pusesse a legenda, com a narração de Bentinho em decorrência, talvez até desse pé, e manteria a fidelidade à obra. Mas interromper assim, não ficou bom para a TV.
4 - Uma frase que diz tudo, e encerra a minha análise: "As melhores adaptações nos permitem enxergar nos atores (na interpretação) cada minúcia, cada ademane, cada detalhe de cada personagem." Os olhos de ressaca da Capitu da Globo são forçados, percebe-se que ela tem a intenção de ter olhos de ressaca. A boa interpretação não é forçada, e falando isso me refiro também ao dramatismo na fala. Por mais teatral que seja o estilo dos diretores, essa interpretação não combinou bem com Machado.
Não vi ainda uma adaptação desta genial obra que me agradasse. Gostei do filme Dom, mas como filme, não como adaptação de uma obra secular. É uma adaptação livre, isso fica claro logo no início, bem como a do conto A Cartomante. São histórias paralelas que lembram obras Machadianas. Tem também o filme Capitu, que não é de minha época e eu ainda não assisti, por isso não sei informar da sua fidelidade.
Mas, meus amigos que nunca leram Machado, não se iludam. O livro Dom Casmurro é, repito, uma obra de arte que atravessou séculos. Talvez a interpretação da série tenha deixado uma má imagem do autor em suas cabeças, daí a necessidade de se fazer críticas (boas ou ruins). Por isso não deixem de ler uma boa obra por conta de uma má adaptação...

Dezembro de 2008 (baseado numa resposta do autor a um tópico criado na comunidade de Machado de Assis no orkut)

Melhores Do mundo


Esse é um trecho da peça "Hermanoteu na Terra de Godah" da companhia de Humor Os Melhores do Mundo.  Neste trecho, o anjo apresenta a Hermanoteu a sua missão. É muito engraçado!


10 de dez de 2008

Retalhos: Um sábado à noite.

Como disse o cantor: todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite. Eu não esperava nada. Como o meu PC estava no concerto e eu tinha o sábado monotomamente livre (tinha uns trabalhos universitários pra fazer, mas disfarça), sentei na cama, caderno e caneta em punho, a fim de começar o rascunho de um trabalho acadêmico. Obviamente não consegui. Mas acabou saindo as seguintes papagaiadas, digamos assim.

******

A imagem que reflete no espelho não me agrada
Mas é assim que tem que ser
Uma vez que o Fernandinho bom e humilde não existe, pra que a manuntenção da imagem do Fernandinho bom e humilde.
Esse cafre tem que morrer!

******

Queria poder culpar alguém pela dor que sinto!
Mas não posso
O único culpado é Fernando Lago
Este miserável
Este medíocre!
Esta imbecilidade que não passa de imagens!

******

Amor Caminiano
Só me resta acreditar em Camim
Amor é ilusão

******

Choro
Porque me fizeste chorar
Mas não te culpes
Sou um chorão

******

Te amo porque te amo
E te amar é tudo que quero
E te amar me faz viver
Ah!
Não conspires pra minha morte
Deixe-me te amar enquanto posso

******

Inexplicável
À burguesia                                                      
Que tu me queres?                                        
Por que te quero?                                            
À burguesia                                                    
Que tu te queres?                                           
Por que te quero?                                          

O raciocínio ideologizado 
Moto, carro, PC
À Burguesia 
Que não me quero 
Por que te quero?
Inexplicável!

******

Erga a cabeça, disse Ela
Olha pra frente, disse ele
Não desanimes, disse a outra
Erga a cabeça, redisse Ela.

Todos me querem de pé
Mas deitado estou bem...

******

Queria que minha inteligência
Que eu creio não existir
Existisse

E ainda que exista
Que adianta?
Sem ela nada consigo
Com ela igual resultado

Sou burro!
Mesmo sendo inteligente!

******

Mal criado (como Álvaro de Campos)
Que diabo!
Deixem-me com minha tristeza
Com minha barba grande
Com minha coluna torta
E meu olhar indirecionado!

Quem tem o suficiente
Não está interessada!
Deixem-me morrer!
Ou pior: viver
Nesta tristeza que me amola...

******

Viver é pior
Quando não se tem nada mais
Quando não se tem sequer
A possibilidade de alcançar algo

Viver é pior quando não se tem vida
"E prefiro morrer que perder a vida!"

"É fácil condenar quem já cumpre pena de vida!"
Absolvam-me por amor de Deus!

******
Amo
Sim, eu amo!                                                  
Não há lógica pra mim!                                 
Mas eu amo. 

Queria ser partidário
Da poesia de Jorge Camin                                                
Mas infelizmente continuo tolo.
Totalmente tolo!
******

Fernando Lago Santos, num rasgo produtivo de 06 de Dezembro de 2008

Santa Catarina - a ajuda vem de longe...


Santa Catarina sofreu. Sabemos disso e vemos todos os dias em jornais sérios e em outros não muito sérios - é, a concepção de sério é relativa, um jornaleco de interior às vezes (não raras vezes) consegue ser mais sério que um telejornal de rede Nacional. Uma discussão ocorrida em Off na Uneb, no GOU (grupo de Oração Universitário - e eu gosto de estar na Universidade por isso, pois as discussões ocorrem nas aulas e fora delas - abordamos o tema e uma das opiniões colocadas nos lembrava que o nordeste brasileiro é castigado durante o ano todo com a seca. Ora, longe de mim defender o assistencialismo pregado pelo neoliberalismo como solução para o problema da pobreza. Sabemos que isso é uma inverdade, prova isso a ineficácia das diversas bolsas distribuídas pelos dois últimos governos. O que quero dizer é que não precisamos pensar em catástrofes para ajudar o próximo. 

A solidariedade das pessoas, observada a partir deste acontecimento, é realmente comovente. Faz-nos perceber que o egoísmo ainda não tomou todos os seres humanos, como crêem alguns céticos e que ainda há esperança para realizarmos uma mudança (lenta e contínua mudança) nesta sociedade. Ver, por exemplo, um senhor de Salvador tirar parte do seu alimento para ajudar a pessoas no outro lado do País que ele nunca viu na vida é algo que não se vê todo dia. No entanto, não podemos esquecer dos nossos. Em cada esquina, nas ruas, nas calçadas, nos bairros periféricos e mesmo no centro há pessoas sem teto, comida e escola.

Estou dizendo isso porque outro dia eu ouvi um camarada dizer: "eu queria ajudar, mas Santa Catarina é tão longe!" Santa Catarina não é o único lugar que precisa de ajuda. O Brasil clama por ajuda. O brasileiro tem de tomar consciência que, enquanto um menino morreu arrastado por bandidos em São Paulo, outros tantos morreram pelos interiores, vítimas de bandidos também; enquanto uma menina foi jogada pela sacada em São Paulo, outras tantas foram mortas pelas Bahias, Amazonas, Alagoas da vida; enquanto o povo de Santa Catarina sofre, outros tantos povos sofrem com catástrofes diárias, sem saber como e se haverá futuro para eles.
                             
Fernando Lago Santos - Teixeira de Freitas, 09 de Dezembro de 2008

6 de dez de 2008

Sem Título (caramba, acabei de fazer!)


Pra não falar de você
Tentei documentar
A história da humanidade
Desdes os primórdios ao futuro
Da descoberta do fogo
Das civilizações
As guerras e os amores
A arte e os desamores
Pra não falar de você

Tentei falar do bom Deus
Seus atos inexplicáveis
Milagres e coisas mais
Moisés e os profetas
São Pedro e os apóstolos
Pra não falar de você

Tentei falar do Brasil
Política e religião
História antropológica
Do negro e do Caboclo
Portugueses e outros cabras
Economia, Geografia
Da moeda e dos problemas
Pra não falar de você

Falei da literatura
Machado e Alencar
Barreto e Azevedo
Poetas e prosadores
Guaranis e Dons Casmurros
Pra não falar de você
Pra não pensar em você
Pra não lembrar de Você

Adaptção de Gabriela (trecho)


Peça apresentada para fins avaliativos de Língua Portuguesa do 3º Ano do Ensino Médio no auditório do Colem, em 03 de Dezembro de 2006 (Colem 6ª Geração). Aplaudida por professor e alunos.

                                                              Elenco:

                                           Gabriela – Daniele da Costa

                                           Nacib – Gleisson Ribeiro

                                           Tonico Bastos – Murillo David

                                           Mundinho Falcão – Fernando Lago

                                           Coronel Aristóteles – Wrandreypson Moreira

                                           Bico-Fino – Leandro Coelho

                                           Coronel Ribeirinho – Isaque Ferreira

                                           Fagundes – Antônio Alves

                                           Dona Arminda – Wadla Aguilar

                                           Figurantes do Bar: Fernando Lago e Wrandreypson Moreira

                        

                                     Roteiros e Adaptações:  Fernando Lago Santos

                                    Direção:  Wrandreypson Moreira Santos e Fernando Lago Santos


CENA IV

(Cenário de bar. Estão Nacib e Tonico Bastos Conversando).

NACIB: Gabriela tem estado estrnha ultimamente. Não me procura mais, está fria...

TONICO: Talvez seja a vida de casada. Toda mulher muda, Nacib.

NACIB: Mas, sei lá! Ela diz que está cansada, parece que não me quer mais...

TONICO: Também! Ela trabalha igual a uma condenada!

NACIB: Porque quer! Já tentei pôr não sei quantas empregadas lá, mas nenhuma fica...

TONICO: Se preocupa não, árabe! (pausa) Sabe da nova?

NACIB: O quê?

TONICO: Parece que o peste do coronel Aristóteles escapou. Vaso ruim não quebra mesmo! Agora aquele traidor apunhala o meu pai e passa pro lado daquele forasteiro!

NACIB: Não me meto em política! O senhor e seu pai são meus amigos, Mundinho Falcão também; o coronel de Itabuna eu não conheço...

TONICO: É um traidor! Mas já que não gosta de política... Bom! Eu vou saindo, tenho que ir ao centro...

NACIB: Espere, eu vou à feira! Vamos juntos!

TONICO: Não! É que me lembrei agora! Tenho de passar no cartório pra ver uns registros. Fica pra próxima vez. (Tonico sai)

(Cena acrescentada durante os ensaios: enquanto Tonico e Mundinho conversam Bico-fino põe um dinheiro no bolso que recebe de dois figurantes que bebem no bar.)

NACIB: Bico-fino. (Bico-fino não o escuta) Bico-fino! Bico-Fino!

BICO-FINO: Oi!

NACIB: Parece surdo! Vou ali e volto logo! Cuida do bar, hein!

BICO-FINO: Sim, seu Nacib!

(Nacib sai Bico-Fino analisa terreno, pára de limpar a mesa – ou balcão – vai à porta, dá uma olhada, disfarça e começa a catar dinheiro do caixa. Nacib entra neste momento

NACIB: Esqueci o... (irritado) Ladrão! Sem vergonha! Agora eu sei por que o meu dinheiro anda pouco! (Começa a bater em Bico-fino)

BICO-FINO: Ladrão é você! Coloca água na cachaça pra enganar o freguês! Você é que é ladrão, árabe desgraçado!

NACIB: Cala a boca, moleque! (Bate mais em Bico-Fino)

BICO-FINO (Escapando) Vai bater em sua mãe, seu turco! Ou em sua mulher, aquela vadia!

NACIB: Cale-se ou vou bater pra valer!

BICO-FINO: Vem bater, seu corno! Vai cuidar de sua mulher! Não sente dor na cabeça com todos esses chifres?

NACIB (pega bico-fino pela gola da camisa): O que é que você tá dizendo?

BICO-FINO: Nada, é...

NACIB: Fala logo se não eu te arrebento!

BICO-FINO: Todo o mundo sabe... Ri da sua cara. Dona Gabriela se esprega com seu Tonico em sua casa todo dia quando ele sai daqui...

(Nacib sai pisando fundo. Bico-fino ainda acha tempo para ir ao caixa, catar um dinheiro e sair correndo do bar.)

 

CENA V

Acrescentado nos ensaios: Com a cortina fechada, ouve-se os gritos de Nacib, Gabriela e Tonico, este último repetindo: “Eu só estava dando uns conselhos!”. Abre-se as cortinas e Tonico surge de uma das portas, correndo estupefato, abotoando as calças. Dona Arminda vê e toma um susto. Logo após Tonico desaparecer pela porta do outro lado, aparece Nacib agredindo Gabriela. Dona Arminda acolhe a moça gritando:

DONA ARMINDA: Chega, seu Nacib, chega! Basta (Pega Gabriela pela mão) Deixe-me te ajudar... (Saem pela mesma porta que saiu Tonico e Nacib fica sozinho, chorando e xingando, num monólogo revoltado).

 

 

CENA VI

Cenário com uma mesa e algumas cadeiras. Conversam Tonico Bastos (em pé, Coronel  Ribeirinho e Mundinho Falcão.

TONICO: (Concluindo uma fala)...  Eu pensei que o árabe ia me furar com aqueles chifrões...

RIBEIRINHO (levantando-se com fúria) Mais respeito, rapaz! Você está falando de um amigo da comunidade! Você teve muita sorte pra ele não ter te matado!

TONICO: Aquilo mata nada. Já passou não sei quantos meses e ele nem olha pra mim...

MUNDINHO (rindo): É boa! Você enfeita a cabeça do cabra ainda quer que ele te trate com cortesia!

TONICO (abanando a cabeça): Diz que já vive com ela de novo... Isso lá é papel de homem?

RIBEIRINHO: Ele só a contratou como cozinheira! Isso não quer dizer que...

TONICO (interrompendo): Que nada! Quando há a mesa há a cama também!

Tonico se retira porque percebe a chegada de Nacib, que entra com um jornal na mão.

NACIB: Andam se metendo com esse aí agora?

MUNDINHO: É a política, Nacib, é assim que funciona. Um dia você é amigo, noutro inimigo. Depois que o Coronel Ramiro Bastos morreu a única solução para os Bastos foi se unir a nós. Não veio em má hora...

NACIB (Abrindo o Jornal): Vejam isso: “O coronel Jesuíno Mendonça, que assassinou sua esposa infiel, foi julgado e condenado ontem. (fitando os amigos) Podia ser eu...

Gabriela entra eufórica, interrompendo a conversa dos senhores

GABRIELA: Tá lá na barra! O navio. Grandão! Cheio de gringo louro! Chegou! Parece uma casa de grande que é!

Mundinho e Ribeirinho saem eufóricos. Nacib e Gabriela ficam sós. Se olham com estranhamento e, enfim, Nacib se aproxima.

NACIB (tirando do bolso uma pulseira ou outro tipo de presente): Vi numa lojinha e... Bom, achei que... É pra você.

GABRIELA (carinhosa, encostando-se-lhe ao peito): Precisava não, moço bonito...


Fecham-se as cortinas

 FIM


3 de dez de 2008

Toadinha da Mentira (2006)


Eu te disse que voltaria logo
E menti
Mas me perdoaste
Quando voltei tempos depois
E prometi
Que nunca mais mentiria
Mas menti

Eu te disse que tinha dinheiro
E menti
Mas me perdoaste
E o dinheiro que consegui
Me fez reeguer a vida em teu perdão
E prometi que trabalharia sério
Mas menti

Eu lhe disse que ia casar
E menti
Mas me perdoaste
E o casamento adiou-se então
Mas você é quem tinha razão
E de novo prometi casar
Mas menti

E depois de tanto perdoar
Um conselho vieste me dar
Tu disseste que com meu agir
Eu devia era ser político
Eu lhe disse que estava errada
Mas menti

Fernando Lago Santos - 23 de Dezembro de 2006

Poeminha Lacônico e Mal-criado


Mando-te e a todos para a pata que os pariu!
Não quero mais viver
À sobra do amor...

É pena não conseguir me livrar dos seus grilhões
Que imbecil
Que idiota
Que ridículo!

Logo eu, que insto por não ser ridículo!

É pena ser rdículo e por que?
Por alguém!

Mando-te e a todos para a pata que os pariu
E a mim também
Que sou o que mais mereço...

Fernando Lago - 03 de Dezembro de 2008