10 de ago de 2010

Companhia


Se respiro o teu ar
Falta-me ar

Fico sem jeito com teu jeito de não me amar
E me afirmo no teu jeito de negar
Minhas tentativas inegáveis de conquista

Teu sorriso terrivelmente lindo
Faz-me louco
Faz-me pouco
Diante do que há
De amores pra ti no mundo

E o melhor de tudo é sentar
Com o peito ao pára-peito da janela
E olhar as belas criaturas femininas
Brasileiras
Passarem em passos franceses pela Avenida do governador

Mas nenhuma se iguala a ti...

Fernando Lago – Junho de 2009

6 de ago de 2010

Micro poemas


         I
Ando na rua
Coisas olho
Que me olham
E no entreolhar das coisas
Não vejo nada interessante
E continuo andando...

         II
A menina da rua à direita
Chora, dizem, por mim.
Chora por nada, então
Nada eu faço pra ela ou por ela
E ela ainda chora!
Com lágrimas
Que sem lágrima não é choro; é só escândalo.

          III
Aquele pé de mangaba
Chefe da minha infância
Caiu hoje ao chão
Em seu lugar
Plantado está um enorme prédio
Onde nascerá uma fábrica de sucos artificiais.
Tem de mangaba.

         IV
Plantaste tua semente, querida,
Plantaste tua semente
Mas a terra não é boa...

          V
Mas que me importa que tenhas cachorro
No quintal do teu coração
Eu sei lidar com os cães...

         VI

E disse: Querido,
Te amarei eternamente
Enquanto tiveres carro.

         VII
E disse: Querida
Te amarei eternamente
Enquanto estiveres jovem.

Fernando Lago – Dezembro de 2009