23 de out de 2009

Fugitiva

Fugiu-me a poesia agora!

Fugiu!

Escapou-me pela janela

Correu pelada na avenida

Deixou-me sem rima na vida

Tentei seguir suas pegadas

Pegado numa lupa de Sherlock Holmes

Mas em asfalto seco de verão sul-baiano não ficam pegadas

(No sul da Bahia é verão todo dia)

Perguntei ao moço do salão

À linda menina do caixa da loja em liquidação

Mas nada!

Nem sinal de meu verso perdido

Quando dei por mim caminhava

Pelo centro, perto da Praça da Bíblia

Sentei no banco da praça

Olhei, busquei, cheirei

Onde estava minha poesia?

De repente uma respiração

Um sussurro em meu ouvido

Refugando tenazmente

Não

Não era minha poesia perdida

Era outra, nova poesia

Disfarçada em brisa vespertina

Fernando Lago – 22 de Outubro de 2009

2 comentários:

  1. Brigada pela visita e pela generoridade de seu olhar!
    Depois com calma passo aqui e te leio, tá?
    Abraço!

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Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?