9 de jan de 2009

Só pra escrever...

Do meu estado pós-morbidez, pré-retorno, restolho de esperança, pré-renovação, confusão na cabeça, pré-revolução, etc, etc, etc...
Há tanto que não sento numa cadeira, respiro fundo e deixo minhas mãos despejarem num papel em branco ou numa tela de computador (mistura de televisão com máquina de datilografar - 26/12) palavras não planejadas, mas surgidas como bolhas em panela de água fervente... Há quanto não deixo fluir as expressões mais grotescas ou mais pitorescas que povoam o meu ser, sem me preocupar com métrica, sem me preocupar com opiniões, sem me preocupar com a moça da esquina ou o doutor do escritório em cima do sobrado na rua Maria da penha; ou com a filha do patrão, ou com os olhos avaliadores que me avaliam sem eu pedir uma avaliação. Sem me preocupar em citar Shakepeare ou Danti; Platão ou Aristóteles; Marx ou Gramsci; Machado ou Alencar; Freire ou Gadotti (e sem me preocupar de pôr seu sobrenome em caixa alta e o ano da publicação da obra entre parênteses). Sem me preocupar em ser romântico ou, pior, em não sê-lo. Sem me preocupar com meu estilo (que estilo?) em mantê-lo ou mudá-lo.
Há tanto que não sou livre!
Há tanto que não toco um violão sem me preocupar com a nota que toco. Sem me preocupar com o retorno, o contorno, o transtorno; sem me preocupar em perceber que não estou tocando violão... Sem pensar que amanhã é dia de aula ou de trabalho... Sem admirar o próprio som...
Há tanto que não toco pra mim mesmo...
Mas hoje, não me pre-ocuparei com métrica - porque não escrevo poesia.
Não vou pensar na moça da esquina, nem no doutor do escritório da rua Maria da Penha, nem na filha do patrão, nem nos avaliadores - porque provavelmente não me irão ler...
Nem vou fazer citações, a não ser as de Fernando Lago - porque sendo esse um daqueles texos escritos desmbestadamente, sem se preocupar com nada, não há de dar margem a citações...
Hoje, meus patetas, só irei escrever... Escrever como quem escreve na areia da praia... Ou no pára brisa serenado de um carro. Ou no chão do quintal de sua casa... Escreverei como o poeta que não consegue encontrar a rima certa para dizer à sua amada que ela é amada... Como o Jornalista que não acha o texto certo pra dizer ao povo que mais um indivíduo morreu. Como o presidente que não acha a palavra certa pra discursar ao seu povo dizendo que a crise é crítica...
Como o arauto que não contém-se em si, e não acha a frase certa pra dizer aos seus patrícios que a guerra acabou. Como o músico que não sabe em que nota inciará a melodia da canção, mas ainda assim está a postos... Como o namorado que não sabe o que cantar, aos pés da janela da criatura amada...
Escreverei com o bebê, que olhou nos olhos do pai e disse a primeira palavra da sua vida...
Que riu um riso leve e doce e, buscando a sua mãe, deu o primeiro passo no seu eterno caminhar...
Escreverei somente... Somente escreverei (quando escrevo não tenho escrúpulos e quem tiver ouvidos que ouça, quem tiver olhos que veja, quem for alfabetizado que leia, quem tiver cabeça que entenda - 26/10)
Fernando Lago Santos - 10 de Janeiro de 2009 (00:18)

Um comentário:

  1. E ai Fernando Lago, blz?
    vc como sempre arrebentando com seus textos ne!?! ... e isso ai parabéns, que Deus continue te dando essa sabedoria....
    vou aproveitar pra te agradecer pelos emails, que vc me mandou.
    valeu...
    se quiser me add. no msn sinta-se a vontade.
    monelaudelino@hotmail.com
    Paz e Bem!
    Simone Santos

    ResponderExcluir

Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?