14 de mai de 2009

Pensamento Intitulável

Devem-se estar todos rindo agora. E com razão. Não precisam esconder com a mão os teus dentes, meus caros! Se vão rir, riam com sinceridade, riam com franqueza. Riam honestamente, porque eu honestamente reconheço que mereço o riso de vocês. Riam de mim, ó bocas perfeitas com dentes sem defeito! Estiquem-se de hilaridade, ó peles suaves as quais nunca toquei. E tu, bela princesa, reúna-te com teu príncipe para juntos festejarem em grandes gargalhadas o quão ridículo é este homem... 

Eu, que desde pequeno tive aversão ao que é ridículo e sem graça; eu, que desde então odeio as coisas ridículas; eu, que sempre busquei andar em direção ao direito e elegante, percebo que nada tenho sido nessa vida além de RIDÍCULO. Achava que estava feliz e pulava ao som de músicas badaladas, imaginando que pensavam em mim e mal sabia que o destino me reservava uma punhalada. É triste, é cômico, é trágico, é tragicômico. Você construir todo um castelo em volta de um fato e de repente perceber que tudo era ilusão, que nesta história toda você era o único que levava a sério a construção desse castelo. Ora qual! Isso não é triste, não é cômico, não é trágico, não é tragicômico; isso é ridículo! E é por isso que mereço sim, todas as risadas que me lançam agora. 

Apontem pra mim o seu dedo indicador! Gargalhem-se pondo a mão na barriga! Profiram palavras que exaltam o meu eu ridículo! Não fiquem tímidos, porque nessa vida só eu chego ao ridículo de ser tímido. Riam francamente e não se importem se eu não rir com vocês. 

Mas mesmo eu acho engraçado. Achava que era um arauto, que a princesa se deslumbrava com meus versos de pé quebrado. E de repente percebo que não passava de um bobo da corte e que provavelmente era um bom divertimento para que passasse o seu tempo. Insisto, RIDÍCULO! 

Cansei de ser romântico. Disse há alguns meses atrás que não mais negaria quem era: um ser essencialmente romântico, essencialmente filosófico, essencialmente musical. Mas já não quero mais isso. Negarei até a morte que sou romântico, porque não irei mais sê-lo. Não vale a pena. Basta-me ser filosófico e musical e, quando muito, científico. Não mais sairei por estas estradas, montado em meu cavalo, com a espada ou a pena em punho a buscar o meu verdadeiro amor terreno. Simplesmente porque não há verdadeiro amor terreno para mim. Esgotaram-se as minhas forças, as tentativas terminaram e amanhã amanhecerei um filósofo. Platão ou Aristóteles, Hegel ou Marx. Não, melhor amanhecer Jorge Camin, que ninguém conhece e que não conhece amor. Estou fechando o meu coração para reforma por tempo indeterminado. É favor não forçar a porta.

Um Amigo meu

2 comentários:

  1. Ei Nando vc é um barato viu!!!
    não tem como não rir.......rs
    Mas não se eskeça que Verdadeiras demonstrações podem vir com um abraço, um aperto de mãos, um sorriso e no silêncio, coisas simples que são fáceis de expressar nos pequenos gestos, portanto não julgue quando alguém não se expressar como você esperava. Também não espere demonstrações de carinho exatamente como você faria......sendo assim nunca desista das pessoas e principalmente do amor.
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Acredito amigo que mesmo tu querendo se desfazer do romance ele não irá se desfazer de ti. È algo que esta na tua veia, mas acredito que o teu romance agora será o mais belo, pois foi provado, e agora só restara o essencial e o mais belo.

    Confesso que também negava ser romantico, músico, poeta, etc... Também já passei por dias que tive raiva da minha poesia.
    Mas depois entendi que mesmo me afastando, o amor contido nas palavras permanece guardado.
    Fico feliz por este post, pois soa como revolta com de maturidade. E isso é muito bom.

    Muita força e paz amigo

    ResponderExcluir

Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?