11 de ago de 2009

A Arte e a Sétima Arte


A Arte e a Sétima Arte[1]
Fernando Lago Santos[2]
nandescritor@hotmail.com

A arte imita a vida; a vida imita a arte. Essa proposição é há muito repetida para discutir os padrões estéticos relacionados à arte – ou aos diversos tipos (ou diga-se categorias) de arte presentes na nossa vida. O cinema – a sétima das belas artes – é talvez a que mais se aproxima das massas, por ser supostamente de fácil popularização por meio dos modernos veículos de comunicação. Contudo, não é muito raro perder o seu caráter de arte perante os olhos dos que o apreciam.

O estilo cinematográfico mais popular – ou mais vendido – tem sido o estilo à americana. Grandes produções à base de espetaculares logísticas para montagem de cenário, diversificadíssimos figurinos, efeitos sonoros e visuais estonteantes, tudo para proporcionar prazer - ou seja lá o que for – aos olhos de quem se digna a assisti-los.

Difícil entender. Mais complicado ainda explicar. Seria o cinema uma forma de arte? Seria apenas entretenimento? Ou seria ambas as coisas ou até mesmo algo mais, dependendo do enfoque que se dá?

Quando um filme aborda questões sociais, unhas encravadas nos pés da sociedade, é fortemente discutido, apoiado, questionado, defendido, atacado, polemizado. Mas todo o mundo sabe que ele não está ali para entreter. Todos sabem que ele tem algo a dizer. É um texto que precisa ser interpretado. Contudo, estaríamos nós devidamente alfabetizados para fazer uma leitura/interpretação deste tipo de texto?

Da mesma forma com que muita gente se proclama alfabetizada por ter aprendido a decodificar o “bê-á-bá”, a escrever seu nome – ou mesmo a soletrar PARALELEPÍPEDO, ou outras palavras mais complicadas, há aqueles apreciadores de belas artes que apenas aprenderam a decodificar as imagens, as cenas, os quadros, as tomadas, as falas. A alfabetização, a leitura, a interpretação é mais do que a decodificação das letras, palavras ou expressões de um texto; a leitura de um filme é mais do que a decodificação das imagens contidas nele. É a capacidade de interpretá-las de maneira reflexiva ou mesmo questionadora perante os modelos estéticos formais.

Os filmes de curta metragem, por exemplo, são constantemente bombardeados de interpretações e interrogações diversas. É difícil saber o que um diretor quis dizer com aquilo tudo (ou com aquele nada); talvez impossível. Impossível porque talvez o tal diretor não quisesse dizer nada com aquilo. Quis que seus apreciadores dissessem.

Encarar o cinema com obra de arte é algo muito complicado, repito. É preciso, porém, vencer essa concepção fechada sobre o que é arte. Costumamos erroneamente entender arte como sinônimo de clássico. É preciso que nos alfabetizemos e possamos fazer, com olhos críticos, a leitura de diversas obras de arte existentes perante os nossos olhos, e que constantemente se transformam em simples parte do nosso cotidiano, perdendo o seu teor – e sabor – de arte.
Fernando Lago Santos – Agosto de 2009

________________________________________________
[1] Esse texto foi escrito a princípio como requisito avaliativo da disciplina Artes e Educação. Conquanto tenha recebido nota 4,0, por não cumprir os requisitos característicos a um trabalho acadêmico, tomei a ousadia de mantê-lo no seu teor original por compreender que muitas vezes o que não serve à academia pode servir a outras categorias de linguagem. A versão corrigida será entregue ao professor em breve...

[2] Graduando do V semestre do curso de Pedagogia na Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Educação Campus X (UNEB/DEDC X)

Um comentário:

  1. Excelente texto, me recordo imediatamente de um filme nacional chamado Romance, em que os protagonistas são atores, e ao fazer o filme o produtor questiona o final do diretor e fala: "Um final melhor não tem nada a ver com audiência, pois quem for assistir o final, já assistiu o filme, já conseguimos audiência, o que eu quero é um final digno, as pessoas vão ao cinema para procurar resposta para os seus problemas, problemas que nós inventamos durante a vida."

    Eu concordo contigo e com o diretor de Romance, muitas pessoas não sabem ler um texto, apenas descodificar os códigos que aprenderam na escola e fazem o mesmo com os filmes.
    E acredito que a arte nasce dos nossos sentimentos, por isso nos identificamos com a arte, por isso digo que ler e assistir já é uma arte em si.

    ResponderExcluir

Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?