6 de dez de 2011

Mattina



Numa dessas madrugadas
Que eu acordei com você
Presente na minha ausência
Saí a caminhar pelo quintal do mundo
Iluminado por lua nenhuma
Só pelas luzes artificiais
Que o prefeito mandou acender
Para a festa de final de ano

Você
Criatura semiperfeita
Que o acaso me roubou
Bem podia inexistir
Bem podia ser
Uma fada imaginada
Embora inimaginável

Andei pela calçada turística
Esperando que você, de repente,
Atravessasse o meu caminho
E após um cumprimento
Me perguntasse sorrindo
“Demorei?”
E eu responderia, “um pouco”
E a visão seria divina
O acaso devolvendo
Com juros e correções
O bem que me roubara

Nos daríamos as mãos
Caminharíamos, um, de fato
E sentaríamos à beira-mar
Para ver o sol nascer...

Ah!
Como é fértil a imaginação
De quem não consegue dormir!

O dia clareou
E eu vi o nascer do sol
Chateado e sozinho

Novembro de 2011

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