26 de dez de 2011

Discrição ou Soneto de Descrição




Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...
(Álvaro de Campos)


Derramo no papel parte de mim
Que oculta o sorriso dos meus lábios
Por muito cri que assim fazem os sábios:
Mostrar-se em fragmentos, o seu fim

O que lhes mostro é pouco interessante
Não menos do que aquilo que escondo
Um ser jamais completo ou redondo
Buscando-se em ânsia alarmante

Perceba a discrição com que descrevo
Por medo de dizer minhas verdades
Que nem de mim pra mim eu me atrevo

Por medo da minha sinceridade
Encerro o soneto que escrevo
Discreto e descrito à metade.


Dezembro de 2011

2 comentários:

  1. Tentando achar palavras para dizer o que senti ao ler esse soneto, mas difícil...ainda estou digerindo-o...e, acho que poesia é isso mesmo sabe, a gente sente e fica remoendo depois. Para você pode ser que seja diferente, mas, que seja...em cada um ela causa uma reação.

    Belo filho Fernando Lago!

    Ps: Eu costumo chamar os textos da Jéssica Milena de filhos, por que dizemos que nossa imaginção é mais que fértil, é gravida...por isso o "Belo filho"!


    Abraço!

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  2. é difícil achar hoje em dia quem saiba equilibrar num soneto a criatividade e a boa métrica.

    vc está entre os poucos, Nando

    beijos

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Pode se jogar, mas não esqueça a sua bóia, viu?